quarta-feira, 30 de junho de 2010

O’NEILL


O'Neill


REDACÇÃO


Uma senhora pediu-me

um poema de amor.


Não de amor por ela,

mas «de amor, de amor».


À parte aquelas

trivialidades

«minha rosa, lua

do meu céu interior»

que podia eu dizer

para ela, a não destinatária,

que não fosse por ela?


Sem objecto, o poema

é uma redacção

dos 100 Modelos

de Cartas de Amor.


Alexandre O’Neill, Poesias Completas.

Sem comentários:

Enviar um comentário