quinta-feira, 10 de junho de 2010

UM POEMA DE MIGUEL DE UNAMUNO

ENTROPIA

Avec le temps, le temps même se change.

Ronsard


E se o próprio tempo
um instante parasse
preso no abismo
da eternidade?

Se Deus adormecesse
e seu dedo horário
na esfera escrevesse
a última verdade?

Se contra o costume
voltasse a torrente
ao gelo, lá no cume
de onde saiu?

Infinito rolo
do tear divino,
fechado botão,
árvore, fruto e flor!


Miguel de Unamuno (1869-1936)
Antologia Poética

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