terça-feira, 31 de agosto de 2010
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
domingo, 22 de agosto de 2010
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
TERRA SONÂMBULA
«Movidas por um vento que nascia não do ar mas do próprio chão, as folhas se espalham pela estrada. Então, as letras, uma a uma, se vão convertendo em grãos de areia e, aos poucos, todos os meus escritos se vão transformando em páginas de terra».
Mia Couto, Terra Sonâmbula
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
A Incumbência dos “Outros”
Os Jovens e a Vida Política
Vivemos sob um paradigma em que a acção política dita mais aspectos do quotidiano do que aquilo que nos é possível imaginar. É, certamente, inconscientes desta evidência que muitos cidadãos continuam a viver alienados da vida política da sua cidade ou até mesmo do seu país.
No entanto, a maior problemática não será o comportamento de muitos adultos por si mas, acima de tudo, a mensagem que esta atitude transmite aos jovens - crescer na ilusão de que a política é incumbência “dos outros” e de que não depende de cada um de nós ter uma opinião formada e uma atitude interventiva. Esta é, sem sombra de dúvida, a maior ameaça a um Portugal mais dinâmico no futuro.
Uma juventude desligada dos valores da democracia
A tendência não se revela animadora: segundo o estudo da Universidade Católica intitulado “Os Jovens e a Política”, que data de Janeiro de 2008, os jovens portugueses revelam uma tendência para se desligar da vida política, menosprezando o respectivo valor.
De facto, quando indagados acerca da importância de diversos aspectos nas suas vidas, como a família, os amigos, os tempos livres, o voluntariado e, claro, a política, os cidadãos portugueses, particularmente a faixa etária entre os 18 e 29 anos, atribuíram a este último aspecto a menor importância.
Estes dados evidenciam um distanciamento dos valores da democracia, defendidos por pensadores clássicos como Sócrates, Platão ou Aristóteles como essenciais para a formação íntegra do Homem. Sendo “democracia” um termo cuja etimologia (do grego demo + kracia, “governo do povo”) pressupõe por si mesmo a participação dos cidadãos. O que será então de uma democracia em que os jovens se tendem a afastar cada vez mais do seu papel de cidadãos activos? Como poderemos recuperar estes valores e integrá-los na formação dos jovens de hoje, homens e mulheres de amanhã?
As juventudes partidárias e a sua função na Sociedade
As juventudes partidárias parecem surgir como a alternativa mais eficiente no contacto directo e local com os jovens.
No entanto, o balanço não é, deveras, positivo. A intervenção das juventudes partidárias no ambiente juvenil é escassa e, na esmagadora maioria das vezes, inoportuna e imediatista. Os jovens que aspiram a políticos devem convencer-se, duma vez por todas, que as acções de marketing alimentadas fora e dentro do ambiente escolar não favorecem a sua própria postura aos olhos da classe juvenil e, muito menos, aos olhos da Sociedade.
Na verdade, o papel das juventudes partidárias chega a ser mais invisível que o das próprias forças partidárias. Quando as juventudes partidárias aparecem, em nome individual, em acções de rua, fazem-no quase que intimidadas pelo contacto com as populações. A tendência é reversível mas, actualmente, alimentam um modesto apoio às “casas-mãe”. A sua força e vitalidade é, portanto, mais visível internamente e subaproveitada no dia-a-dia.
Seria sugestivo que as juventudes partidárias repensassem o seu modelo de intervenção e participação numa Sociedade que apresenta graves lacunas sociais. Integrar o voluntariado na missão das juventudes partidárias é só uma das soluções que podem acreditar estes jovens políticos, cumprindo um dever para com a Sociedade e admitindo um aumento da sua capacidade interventiva.
Não se revela de somenos importância, o contacto das juventudes partidárias com a classe juvenil que tanto deprecia a política. Deve, todavia, ser um contacto duradouro e construtivo na medida em que proporcione a discussão de parte a parte de temas da Sociedade.
As juventudes partidárias não podem ser relativizadas nem tomadas, única e exclusivamente, como parte acessória das suas “casas-mãe”. Estes jovens políticos podem e devem cambiar os seus interesses para os problemas e desafios locais, numa tentativa de favorecer não apenas a discussão social, mas também a discussão política.
Ana Rodrigues
Carlos Raimundo
ESSL, Agosto de 2010
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
ATMOSFERA
«O mundo é tão vasto, espaçoso,
O céu tão amplo e majestoso!
Tudo quer ver o meu olhar,
Mas não sei como imaginar».
Para me encontrar no infinito,
Primeiro distingo, depois junto:
Grato está meu canto e seu lume
Ao homem que às nuvens deu nome.
Johann Wolfgang Goethe (1749-1832), O Jogo das Nuvens.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO
O Lord
Lord que eu fui de Escócias doutra vida
Hoje arrasta por esta a sua decadência,
Sem brilho e equipagens.
Milord reduzido a viver de imagens,
Pára às montras de jóias de opulência
Num desejo brumoso --- em dúvida iludida...
(--- Por isso a minha raiva mal contida,
--- Por isso a minha eterna impaciência.)
Olha as Praças, rodeia-as...
Quem sabe se ele outrora
Teve Praças, como esta, e palácios e colunas ---
Longas terras, quintas cheias,
Iates pelo mar fora,
Montanhas e lagos, florestas e dunas...
(--- Por isso a sensação em mim fincada há tanto
Dum grande património algures haver perdido;
Por isso o meu desejo astral de luxo desmedido ---
E a Cor na minha Obra o que ficou do encanto...)
Mário de Sá-Carneiro
quinta-feira, 15 de julho de 2010
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Exposição - A arte ponto por ponto. Tapeçarias de Portalegre, no Centro Cultural de Cascais
Costa Pinheiro, Mar Tenebroso
Tapeçaria de Portalegre (200x366 cm)
Em colaboração com a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, criada em 1946 por Guy Fino e Manuel Celestino Peixeiro, a Fundação D. Luís I expõe no Centro Cultural de Cascais um conjunto particularmente significativo de tapeçarias criadas a partir de trabalhos de alguns dos mais importantes artistas portugueses e estrangeiros contemporâneos, possibilitando assim a fruição de opções estéticas muito diversificadas, entre as quais se contam as de Le Corbusier, Carlos Botelho, Menez, Nadir Afonso, Costa Pinheiro, Cruzeiro Seixas, Júlio Resende, Manuel Cargaleiro, Eduardo Nery, Graça Morais, Charrua, Rogério Ribeiro, Victor Pomar e Figueiredo Sobral, por exemplo.
in http://www.cm-cascais.pt/Cascais/Agenda/arte_ponto_ponto.htm
Inauguração: 16 de Julho às 21h30.
Até 12 de Setembro (Terça a Domingo, das 10 às 18 horas)
Centro Cultural de Cascais (Av. Rei Humberto II de Itália, Cascais)
segunda-feira, 12 de julho de 2010
CAEIRO
O luar quando bate na relva…
Não sei que cousas me lembra…
Lembra-me a voz da criada velha
Contando-me contos de fadas
E de como Nossa Senhora vestida de mendiga
Andava à noite nas estradas
Socorrendo as crianças maltratadas…
Se eu já não posso crer que isso é verdade,
Para que bate o luar na relva?
Aberto Caeiro, Poesia
quinta-feira, 8 de julho de 2010
terça-feira, 6 de julho de 2010
MATILDE ROSA ARAÚJO (1921-2010)
Matilde Rosa Araújo
Escrevo à mão... gosto de fazer letra. Gosto de desenhar a letra.
A letra tem uma beleza como a palavra tem uma música.
Um dia na escola da Calçada do Combro fiz uma sessão na Biblioteca. Brincávamos com as palavras. Eu perguntava quais eram as palavras mais bonitas. E uma aluna, magrinha, com umas olheiras até aqui, voltou-se para mim e disse:
"A palavra mais linda é "vosselência""!
(Entrevista - a Matide Rosa Araújo )
domingo, 4 de julho de 2010
FIAMA
Amor é o olhar total, que nunca pode
ser cantado nos poemas ou na música,
porque é tão-só próprio e bastante,
em si mesmo absoluto táctil,
que me cega, como a chuva cai
na minha cara, de faces nuas,
oferecidas sempre apenas à água.
Fiama Hasse Pais Brandão, Obra Breve.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
quarta-feira, 30 de junho de 2010
O’NEILL
REDACÇÃO
Uma senhora pediu-me
um poema de amor.
Não de amor por ela,
mas «de amor, de amor».
À parte aquelas
trivialidades
«minha rosa, lua
do meu céu interior»
que podia eu dizer
para ela, a não destinatária,
que não fosse por ela?
Sem objecto, o poema
é uma redacção
dos 100 Modelos
de Cartas de Amor.
Alexandre O’Neill, Poesias Completas.