segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

TEMPO

A questão do tempo

Quando pretendo «fixar» o tempo no seu agora, o que consigo é comemorar um «agora» que já não é ou prevenir um «agora» que ainda não é. (…)

O tempo é um potro selvagem difícil de montar, porque quando queremos percebê-lo deita-nos abaixo e vemo-lo afastar-se fazendo piruetas. Mas não devemos deixar-nos enganar pela redução ao infinitesimal da actualidade vivida (…).

Conscientes do tempo e da dificuldade em pensá-lo, nós, humanos, inventámos muitas maneiras de estabelecer essa passagem que nunca se detém. Isto é, formas diversas de medir o tempo. Mas o que estamos a medir quando medimos o tempo? Como medir algo que não sabemos sequer o que é?

Medir o tempo corresponde mais ou menos a determinar o prazo das mudanças que nos afectam a nós, às nossas actividades e ao mundo que habitamos. Mas como essas mudanças podem ser de inúmeros tipos e como as medidas que lhe aplicamos correspondem a critérios muito diferentes, na realidade é impossível falar de um só «tempo»: teremos que nos resignar a que haja vários «tempos», conforme as mudanças observadas e as normas de medição utilizadas. E também conforme a urgência social de controlar algumas mudanças mais do que todas as outras.

Fernando Savater, As Perguntas da Vida, D. Quixote.


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

ALMADA

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O LIVRO

Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam, não duro nem para metade da livraria.

Deve certamente haver outras maneiras de se salvar um pessoa, senão estou perdido. (…)

Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa – salvar a humanidade.

Almada Negreiros

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

VISITA DE ESTUDO, 10ºA, B, C, D

Nos dias 6 e 7 de Janeiro de 2011, no âmbito das disciplinas de Biologia e Geologia e Física e Química A, os professores organizaram uma visita de estudo aos seguintes locais:

Museu da Electricidade (Belém) e Oceanário (Parque das Nações).

Participaram as turmas do Curso de Ciências e Tecnologia do 10ºAno (A, B, C e D), acompanhadas pelos docentes Maria Rodrigues, Beatriz Quezada, Fátima Laima, Alzira Nunes, António Carreiras, Ana Souza, Valéria Vieira

Alguns momentos:









terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

I JORNADAS DE LEITURA NA BIBLIOTECA

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Uma leitura encenada do conto de Almada Negreiros «O Cágado», feita pelos alunos do 10ºA.


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Uma assistência privilegiada: o 6º C e E da Escola Básica Cristóvão Falcão.

Uma leitura expressiva dos poemas «Lágrimas de Preta» e «Pedra Filosofal» de António Gedeão.

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Eis as primeiras jornadas de leitura.

Um trabalho conjunto das Escolas de S. Lourenço e Cristóvão Falcão.

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Uma aproximação das duas bibliotecas escolares.

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Em busca de novos leitores!

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Parabéns!











domingo, 30 de janeiro de 2011

INAUGURAÇÃO DA NOVA ESSL (29/01/2011)

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29 de Janeiro de 2011

Inauguração da nova Escola Secundária de S. Lourenço (ESSL)

Ministro da Agricultura, Prof. Dr. António Serrano

Director da Escola, Prof. Eduardo Relvas


Mais informações

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

SOPHIA

Data

Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação


Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão


Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

PORTALEGRE

PTG 1900 B Portalegre, finais do séc. XIX

PTG 1900 

Portalegre, finais do séc. XIX

PTG 50

Portalegre, finais dos anos 50 do séc. XX (Cascata e Av. Pio XII)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

SOPHIA

CIDADE

Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas,
Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,
Saber que existe o mar e as praias nuas,
Montanhas sem nome e planícies mais vastas
Que o mais vasto desejo,
E eu estou em ti fechada e apenas vejo
Os muros e as paredes, e não vejo
Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas.

Saber que tomas em ti a minha vida
E que arrastas pela sombra das paredes
A minha alma que fora prometida
Às ondas brancas e às florestas verdes.

Sophia de Mello Breyner Andresen, 1944

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

DEBATE SOBRE EDUCAÇÃO II (ALBUM)

Educação em Debate

DEBATE SOBRE EDUCAÇÃO NA ESSL






A Educação em Debate na ESSL.

Duas turmas da ESSL, vários elementos do Clube Europeu e os professores Maria Luísa Moreira e Carlos Serra receberam o deputado Artur Rego.
Após uma breve introdução sobre o funcionamento da Assembleia da República, proferida pelo deputado Artur Rego, temas relacionados com a educação foram abordados.
Acesso ao ensino superior, currículo pessoal, programas, aulas de substituição, autonomia, criatividade, cidadania, foram temas que alimentaram um debate muito interessante.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O ARTISTA E O CRÍTICO


É elementar que o artista não cria a realidade; vai buscar os materiais que se lhe oferecem, que lhe são comuns com os outros homens; na escolha deles residem o seu primeiro trabalho e a sua primeira prova; em seguida — e aqui temos a sua tarefa mais alta — tece um certo número de relações entre esses elementos; quanto mais amplas elas forem, de mais universal carácter e valor, tanto mais elevado será o poema; mas, até nos casos mais simples, surge com a obra um mundo novo, um mundo que não existia com tal arquitectura, com tal ordem. Se cabe ao poeta ou ao escultor criar um universo, cabe ao crítico criar um artista; dele também não existem, antes da empresa crítica, senão os elementos dispersos, os vários traços dos seus versos ou das suas estátuas; Fídias ou Milton só passam verdadeiramente a ser quando encontram Collignon e Macaulay; os Erasmos de dois autores diferentes são diferentes, como são diferentes as árvores de Cláudio Lorena e as árvores de Beruete; se quiséssemos entrar na carreira de colocar as artes em degraus poríamos o crítico no mais alto de todos: porque é a ele que compete a missão de criar o criador; tem, na arte, o trabalho que tomam para si o teólogo e o filósofo no mundo mais vasto do pensamento.

Não temos nada a objectar a que o artista não ouça o crítico, embora, se esmiuçássemos, acabássemos por ter de reconhecer tal caminho como impossível; suponhamos que é sempre o contrário que se tem que dar: é o crítico quem deve seguir, com amorosa atenção, a fantasia do artista. Nada, portanto, de crítica normativa; só explicativa e ressoadora (como se tudo isto não incluísse sempre uma norma); faça o artista o que quiser, ninguém lhe dê conselhos, e se lhos derem ria o artista; a sua órbita depende da sua vontade; rume a que céus quiser e seja imprevisível. Mas, como o crítico é também um artista, tem ele mesmo o direito de exigir que lhe não ponham barreiras, que o deixem ser à vontade juiz ou ampliador e que o expliquem depois, se quiserem; é ilógico impor limites ao crítico, quando se quebram esses limites em nome da liberdade de criação; ou um e outro os devem ter, e nesse caso o crítico pode ser pedagógico (que haverá não pedagógico?) e o artista tem de o escutar e seguir, ou se derrubam para todos e então nada de regras e manuais destinados aos críticos; a atitude a escolher é uma só: tudo o mais confusão e prosa inútil.

Agostinho da Silva, in Diário de Alcestes