quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

LUZ

A Luz que Vem das Pedras

A luz que vem das pedras, do íntimo da pedra,
tu a colhes, mulher, a distribuis
tão generosa e à janela do mundo.
O sal do mar percorre a tua língua;
não são de mais em ti as coisas mais.
Melhor que tudo, o voo dos insectos,
o ritmo nocturno do girar dos bichos,
a chave do momento em que começa o canto
da ave ou da cigarra
— a mão que tal comanda no mesmo gesto fere
a corda do que em ti faz acordar
os olhos densos de cada dia um só.
Quem está salvando nesta respiração
boca a boca real com o universo?


Pedro Tamen, in Agora, Estar

domingo, 4 de dezembro de 2011

Fado, Património Imaterial

 

Fado Português

O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.


Ai, que lindeza tamanha,
meu chão , meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.


Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.

Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.


Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro veleiro
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.


José Régio, Poemas de Deus e do Diabo

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Ignoto Deo

 

DSC02069

(D. D. D.)

Creio em ti, Deus; a fé viva

De minha alma a ti se eleva.

És: - o que és não sei. Deriva

Meu ser do teu: luz... e treva,

Em que - indistintas! - se envolve

Este espírito agitado,

De ti vêm, a ti devolve.

O Nada, a que foi roubado

Pelo sopro criador

Tudo o mais, o há-de tragar.

Só vive do eterno ardor

O que está sempre a aspirar

Ao infinito donde veio.

Beleza és tu, luz és tu,

Verdade és tu só. Não creio

Senão em ti; o olho nu

Do homem não vê na terra

Mais que a dúvida, a incerteza,

A forma que engana e erra.

Essência! a real beleza,

O puro amor - o prazer

Que não fatiga e não gasta...

Só por ti os pode ver

O que, inspirado, se afasta,

Ignoto Deo, das ronceiras,

Vulgares turbas: despidos

Das coisas vãs e grosseiras

Sua alma, razão, sentidos,

A ti se dão, em ti vida,

E por ti vida têm. Eu, consagrado

A teu altar, me prostro e a combatida

Existência aqui ponho, aqui votado

Fica este livro - confissão sincera

Da alma que a ti voou e em ti só spera.

 

Almeida Garrett, Folhas Caídas.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

o dia do outro lado

 

L0001

 

Livro comemorativo dos 30 anos da CERCI PORTALEGRE

Autoria de Carlos Garcia de Castro e Raul Ladeira

Edições Colibri, 2011

 

 

«Ora aqui estamos nesta casa nobre,

onde reside a nossa condição,

sermos criança ainda em corpo vindo

do tempo convocado para crescermos

na inocência dum destino humano».

Carlos Garcia de Castro

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

PRAIA

 

Na luz oscilam os múltiplos navios
Caminho ao longo dos oceanos frios

As ondas desenrolam os seus braços
E brancas tombam de bruços

A praia é lis e longa sob o vento
Saturada de espaços e maresia

E para trás fica o murmúrio
Das ondas enroladas como búzios.



Sophia de Mello Breyner

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Adeus

 

Às vezes é nos silêncios mais medonhos,

Que encontro na luz crua do olhar,

A imensidão perdida dos meus sonhos,

Nos contornos nus e rudes do lugar.

E um grito de infinito em vulcão,

Rebenta em mim como lava de luar,

O verso em flor na minha mão,

Até tocar-me a alma a soluçar.

Que linda a Vida! Adeus, Adeus…

Deixo-vos estes versos que são meus,

E louvo a Deus na eternidade.

Kyrie Eleison! Toquem os céus,

Meus versos brandos como véus,

E doces como lágrimas de saudade.

Raul Cóias Dias

 

PS- Homenagem ao colega Cóias, que nos deixou há dias.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Concurso PORDATA

folheto_pordata_rbe_fr

folheto_pordata_rbe_vs

PORDATA.PT

DIA DA FILOSOFIA, 17 DE NOVEMBRO

Valor do Tempo

 

Procede deste modo, caro Lucílio: reclama o direito de dispores de ti, concentra e aproveita todo o tempo que até agora te era roubado, te era subtraído, que te fugia das mãos. Convence-te de que as coisas são tal como as descrevo: uma parte do tempo é-nos tomada, outra parte vai-se sem darmos por isso, outra deixamo-la escapar. Mas o pior de tudo é o tempo desperdiçado por negligência. Se bem reparares, durante grande parte da vida agimos mal, durante a maior parte não agimos nada, durante toda a vida agimos inutilmente.

Séneca, Cartas a Lucílio, Carta I.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Festival de Balonismo, Alentejo

 

Balonismo

1409-baloes2011

08 - Novembro (Terça-feira)

07h30 - 10h00 - 3º Voo - Fronteira

15h30 - 17h00 - 4º Voo - Fronteira

09 - Novembro (Quarta-Feira)

07h30-10h00 - 5º Voo - Alter do Chão

15h30-17h00 - 6º Voo - Alter do Chão

10 - Novembro (Quinta-Feira)

07h30 - 10h00 - 7º Voo - Fronteira

15h30 - 17h00 - 8º Voo - Fronteira

11 - Novembro (Sexta-Feira)

07h30 - 10h00 - 9º Voo - Alter do chão

15h30 - 17h00 - 10º Voo - Alter do chão

12 - Novembro (Sábado)

07h30 - 10h00 - 11º Voo - Fronteira

15h30 - 17h00 - 12º Voo - Fronteira

13 - Novembro (Domingo)

07h30 -10h00 - 13º Voo - Cabeço de Vide

 

http://www.cm-alter-chao.pt/

sábado, 5 de novembro de 2011

missão

 

Sol2

para dominares a terra

te dei as mãos

e sementes de justiça

semeei no coração do mundo

(…)

para ergueres sobre a guerra

o teu corpo

expatriado e exangue

te enviei

soldado de todas as fronteiras

 

para seres junto dos povos

a lucerna

o gume

a quase pátria

te dei o meu Espírito

 

sempre caminhei adiante de ti

como promessa

e sempre como a um filho

te enchi os olhos de futuro

 

para dominares a terra

te dei as mãos

e sementes de justiça

semeei no coração do mundo

 

 

José Augusto Mourão, O Nome e a Forma

domingo, 30 de outubro de 2011

Era uma tarde de outono

 

Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas
Sobre o jardim calado, e as águas miro, absorto.
Outono... Rodopiando, as folhas amarelas
Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto...
Por que, belo navio, ao clarão das estrelas,
Visitaste este mar inabitado e morto,
Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas,
Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto?
A água cantou. Rodeava, aos beijos, os teus flancos
A espuma, desmanchada em riso e flocos brancos...
Mas chegaste com a noite, e fugiste com o sol!
E eu olho o céu deserto, e vejo o oceano triste,
E contemplo o lugar por onde te sumiste,
Banhado no clarão nascente do arrebol...


Olavo Bilac, in Poesias

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

DIA INTERNACIONAL DAS BIBLIOTECAS ESCOLARES

 

logo-iasl-mibe_2011

 

Dia 24 de outubro, 2ª feira, aparece na biblioteca da escola.

Às 10h, atuação da Hallituna.

Às 11h, visitas guiadas à tua biblioteca.

Não faltes!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011