quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Galileu

Poema para Galileu

(...) Eu queria agradecer-te, Galileu, 
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,  
e quantos milhões de homens como eu 
a quem tu esclareceste,
ia jurar - que disparate Galileu! 
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça 
sem a menor hesitação - 
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.

Pois não é evidente, Galileu?  
Quem acredita que um penedo caia 
com a mesma rapidez que um botão de camisa 
ou que um seixo na praia?

(…)

António Gedeão

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Homenagem a Eugénio Lisboa

Eugénio Lisboa

 

Homenagem a Eugénio Lisboa

Apresentação do livro
“Eugénio Lisboa: vário, intrépido e fecundo”

Com a presença do homenageado e por um dos seus organizadores,

Professora Doutora Otília Pires Martins e

pelo Reitor da Universidade de Aveiro Professor Doutor Manuel Assunção

Biblioteca Municipal de Portalegre
Sala Polivalente 1

dia 27 - 17 horas

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Concurso Logótipo - O Clube do Desporto Escolar

 

DE

O ano letivo 2011/2012 é, para Escola Secundária de S. Lourenço, um ano de mudança e renovação. O Clube do Desporto Escolar da ESSL, empenhado em levar cada vez mais longe o nome desta Escola, pretende ver reforçada a sua identidade. Assim, o grupo disciplinar de Educação Física decidiu lançar um concurso destinado à criação de um logótipo criativo e original que identifique o Clube do Desporto Escolar da ESSL - Portalegre com uma nova imagem. O logótipo vencedor será estampado nos equipamentos dos grupos equipa.

Ver Regulamento

sábado, 14 de janeiro de 2012

Ao Entardecer

     Ao entardecer, debruçado pela janela,
     E sabendo de soslaio que há campos em frente,
     Leio até me arderem os olhos
     O livro de Cesário Verde.

     Que pena que tenho dele!  Ele era um camponês
     Que andava preso em liberdade pela cidade.
     Mas o modo como olhava para as casas,
     E o modo como reparava nas ruas,
     E a maneira como dava pelas cousas,
     É o de quem olha para árvores,
     E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando
     E anda a reparar nas flores que há pelos campos ...

     Por isso ele tinha aquela grande tristeza
     Que ele nunca disse bem que tinha,
     Mas andava na cidade como quem anda no campo
     E triste como esmagar flores em livros
     E pôr plantas em jarros...

Alberto Caeiro

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Brasil

Pátria de emigração.
É num poema que te posso ter...
A terra - possessiva inspiração;
E os rios - como versos a correr.

Achada na longínqua meninice,
Perdida na perdida juventude,
Guardei-te como podia:
na doce quietude
Da força represada da poesia.

E assim consigo ver-te
Como te sinto:
Na doirada moldura de lembrança,
O retrato da pura imensidade
A que dei a possível semelhança
Com palavras e rimas de saudade.

Miguel Torga

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

DERIVA

Vi as águas os cabos vi as ilhas
E o longo baloiçar dos coqueirais
Vi lagunas azuis como safiras
Rápidas aves furtivos animais
Vi prodígios espantos maravilhas
Vi homens nus bailando nos areais
E ouvi o fundo som das suas falas
Que já nenhum de nós entendeu mais
Vi ferros e vi setas e vi lanças
Oiro também à flor das ondas finas
E o diverso fulgor de outros metais
Vi pérolas e conchas e corais
Desertos fontes trémulas campinas
Vi o frescor das coisas naturais
Só do Preste João não vi sinais

As ordens que levava não cumpri
E assim contando tudo quanto vi
Não sei se tudo errei ou descobri


Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

FELIZ NATAL

 

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Natal

 

esperamos todos

o dealbar de um rosto

a aparição de outra coisa

entre o chão de limos e o rumor dos freixos

 

esperamos

às portas fechadas do mar

a onda favorável que nos leve ao outro lado

o sopro redentor

o expansivo meio em que a alegria nasce

(…)

 

José Augusto Mourão, O Nome e a Forma

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Portalegre ao anoitecer

 

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António Aleixo

 

Para não fazeres ofensas

e teres dias felizes,

não digas tudo o que pensas,

mas pensa tudo o que dizes.

 

Mentiu com habilidade,

fez quantas mentiras quis;

agora fala verdade

ninguém crê no que ele diz.

 

Não sou esperto nem bruto,

nem bem nem mal educado:

sou simplesmente o produto

do meio em que fui criado.

 

Vemos gente bem vestida,

no aspecto desassombrada;

são tudo ilusões da vida,

tudo é miséria dourada.

 

Sei que pareço um ladrão...

mas há muitos que eu conheço

que, não parecendo o que são,

são aquilo que eu pareço.

 

 

António Aleixo