Trabalhos do 10º e 11ºH
Sophia de Mello Breyner Andresen
esperamos todos
o dealbar de um rosto
a aparição de outra coisa
entre o chão de limos e o rumor dos freixos
esperamos
às portas fechadas do mar
a onda favorável que nos leve ao outro lado
o sopro redentor
o expansivo meio em que a alegria nasce
(…)
José Augusto Mourão, O Nome e a Forma
Para não fazeres ofensas
e teres dias felizes,
não digas tudo o que pensas,
mas pensa tudo o que dizes.
Mentiu com habilidade,
fez quantas mentiras quis;
agora fala verdade
ninguém crê no que ele diz.
Não sou esperto nem bruto,
nem bem nem mal educado:
sou simplesmente o produto
do meio em que fui criado.
Vemos gente bem vestida,
no aspecto desassombrada;
são tudo ilusões da vida,
tudo é miséria dourada.
Sei que pareço um ladrão...
mas há muitos que eu conheço
que, não parecendo o que são,
são aquilo que eu pareço.
António Aleixo
A Luz que Vem das Pedras
A luz que vem das pedras, do íntimo da pedra,
tu a colhes, mulher, a distribuis
tão generosa e à janela do mundo.
O sal do mar percorre a tua língua;
não são de mais em ti as coisas mais.
Melhor que tudo, o voo dos insectos,
o ritmo nocturno do girar dos bichos,
a chave do momento em que começa o canto
da ave ou da cigarra
— a mão que tal comanda no mesmo gesto fere
a corda do que em ti faz acordar
os olhos densos de cada dia um só.
Quem está salvando nesta respiração
boca a boca real com o universo?
Pedro Tamen, in Agora, Estar
Fado Português
O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.
Ai, que lindeza tamanha,
meu chão , meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.
Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.
Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.
Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro veleiro
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.
José Régio, Poemas de Deus e do Diabo
(D. D. D.)
Creio em ti, Deus; a fé viva
De minha alma a ti se eleva.
És: - o que és não sei. Deriva
Meu ser do teu: luz... e treva,
Em que - indistintas! - se envolve
Este espírito agitado,
De ti vêm, a ti devolve.
O Nada, a que foi roubado
Pelo sopro criador
Tudo o mais, o há-de tragar.
Só vive do eterno ardor
O que está sempre a aspirar
Ao infinito donde veio.
Beleza és tu, luz és tu,
Verdade és tu só. Não creio
Senão em ti; o olho nu
Do homem não vê na terra
Mais que a dúvida, a incerteza,
A forma que engana e erra.
Essência! a real beleza,
O puro amor - o prazer
Que não fatiga e não gasta...
Só por ti os pode ver
O que, inspirado, se afasta,
Ignoto Deo, das ronceiras,
Vulgares turbas: despidos
Das coisas vãs e grosseiras
Sua alma, razão, sentidos,
A ti se dão, em ti vida,
E por ti vida têm. Eu, consagrado
A teu altar, me prostro e a combatida
Existência aqui ponho, aqui votado
Fica este livro - confissão sincera
Da alma que a ti voou e em ti só spera.
Almeida Garrett, Folhas Caídas.
Livro comemorativo dos 30 anos da CERCI PORTALEGRE
Autoria de Carlos Garcia de Castro e Raul Ladeira
Edições Colibri, 2011
«Ora aqui estamos nesta casa nobre,
onde reside a nossa condição,
sermos criança ainda em corpo vindo
do tempo convocado para crescermos
na inocência dum destino humano».
Carlos Garcia de Castro
Na luz oscilam os múltiplos navios
Caminho ao longo dos oceanos frios
As ondas desenrolam os seus braços
E brancas tombam de bruços
A praia é lis e longa sob o vento
Saturada de espaços e maresia
E para trás fica o murmúrio
Das ondas enroladas como búzios.
Sophia de Mello Breyner
Às vezes é nos silêncios mais medonhos,
Que encontro na luz crua do olhar,
A imensidão perdida dos meus sonhos,
Nos contornos nus e rudes do lugar.
E um grito de infinito em vulcão,
Rebenta em mim como lava de luar,
O verso em flor na minha mão,
Até tocar-me a alma a soluçar.
Que linda a Vida! Adeus, Adeus…
Deixo-vos estes versos que são meus,
E louvo a Deus na eternidade.
Kyrie Eleison! Toquem os céus,
Meus versos brandos como véus,
E doces como lágrimas de saudade.
Raul Cóias Dias
PS- Homenagem ao colega Cóias, que nos deixou há dias.
Procede deste modo, caro Lucílio: reclama o direito de dispores de ti, concentra e aproveita todo o tempo que até agora te era roubado, te era subtraído, que te fugia das mãos. Convence-te de que as coisas são tal como as descrevo: uma parte do tempo é-nos tomada, outra parte vai-se sem darmos por isso, outra deixamo-la escapar. Mas o pior de tudo é o tempo desperdiçado por negligência. Se bem reparares, durante grande parte da vida agimos mal, durante a maior parte não agimos nada, durante toda a vida agimos inutilmente.
Séneca, Cartas a Lucílio, Carta I.
08 - Novembro (Terça-feira)
07h30 - 10h00 - 3º Voo - Fronteira
15h30 - 17h00 - 4º Voo - Fronteira
09 - Novembro (Quarta-Feira)
07h30-10h00 - 5º Voo - Alter do Chão
15h30-17h00 - 6º Voo - Alter do Chão
10 - Novembro (Quinta-Feira)
07h30 - 10h00 - 7º Voo - Fronteira
15h30 - 17h00 - 8º Voo - Fronteira
11 - Novembro (Sexta-Feira)
07h30 - 10h00 - 9º Voo - Alter do chão
15h30 - 17h00 - 10º Voo - Alter do chão
12 - Novembro (Sábado)
07h30 - 10h00 - 11º Voo - Fronteira
15h30 - 17h00 - 12º Voo - Fronteira
13 - Novembro (Domingo)
07h30 -10h00 - 13º Voo - Cabeço de Vide
para dominares a terra
te dei as mãos
e sementes de justiça
semeei no coração do mundo
(…)
para ergueres sobre a guerra
o teu corpo
expatriado e exangue
te enviei
soldado de todas as fronteiras
para seres junto dos povos
a lucerna
o gume
a quase pátria
te dei o meu Espírito
sempre caminhei adiante de ti
como promessa
e sempre como a um filho
te enchi os olhos de futuro
para dominares a terra
te dei as mãos
e sementes de justiça
semeei no coração do mundo
José Augusto Mourão, O Nome e a Forma
Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas
Sobre o jardim calado, e as águas miro, absorto.
Outono... Rodopiando, as folhas amarelas
Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto...
Por que, belo navio, ao clarão das estrelas,
Visitaste este mar inabitado e morto,
Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas,
Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto?
A água cantou. Rodeava, aos beijos, os teus flancos
A espuma, desmanchada em riso e flocos brancos...
Mas chegaste com a noite, e fugiste com o sol!
E eu olho o céu deserto, e vejo o oceano triste,
E contemplo o lugar por onde te sumiste,
Banhado no clarão nascente do arrebol...
Olavo Bilac, in Poesias
No dia 30 de Setembro, a Escola entregou os diplomas aos alunos dos quadros de valor e excelência.
Arquitetos Portugueses
http://static.publico.pt/coleccoes/arquitectos/
Nós e a Ciência
http://static.publico.pt/coleccoes/nos-e-a-ciencia/
Estas coleções estão à tua espera na biblioteca da Escola!
Aparece!
A visita de estudo do 10ºG ao Museu da Tapeçaria Guy Fino permitiu conhecer a esta forma de arte.
As tapeçarias de Portalegre, conhecidas no mundo inteiro, reproduzem, de forma sublime, obras de arte de grandes mestres da pintura. Algumas obras de Almada Negreiros, Vieira da Silva, Cargaleiro, Charrua, Rogério Guimarães, Malangatana e muitos, muitos outros são divulgadas pela Manufactura das Tapeçarias de Portalegre, criada em 1948, por Guy Fino.
«Meditei hoje, num intervalo de sentir, na forma de prosa de que uso. Em verdade, como escrevo? Tive, como muitos têm tido, a vontade pervertida de querer ter um sistema e uma norma. É certo que escrevi antes da norma e do sistema; nisso, porém, não sou diferente dos outros.»
Bernardo Soares, Livro do Desassossego, Edição de Richard Zenith, Assírio & Alvim, 2003.
«De 1 a 5 de Outubro, a parte alta da vila transforma-se numa deslumbrante máquina do tempo que nos transporta directamente para o século IX, para os tempos da sua fundação, homenageando o seu rebelde fundador Ibn Maruan, figura ímpar e visionária que mesmo a tantos séculos de distância consegue unir o que as fronteiras e história separaram.
O “Mercado das 3 Culturas”, palco principal de toda esta actividade, reconstitui a ambiência das vendas dessa época e deslumbra-nos como um espaço aberto à imaginação e à história. Para além de estar repleto de fabulosas recriações e animações que interagem com os visitantes.
O público feminino certamente se deixará encantar pelo stand de chás e ervas medicinais, a enorme variedade de brincos, pulseiras e colares em prata; pelas pedras semi-preciosas, pelos trabalhos em osso, madeira e demais adereços; pelas jarras, lâmpadas, flores secas, velas, espelhos, vidros, incensos e outros elementos de decoração; pelos sapatos, malas, túnicas, véus, cintos para dança do ventre, peles e tecidos coloridos; pelos sabonetes e perfumes, pelas tatuagens temporárias, pela leitura da sina nas mãos, pelas louças e tapetes orientais, pelo artesanato Egípcio, de Marrocos, dos Himalaias e da Tunísia.
Os homens adorarão ver os artesãos que trabalham ao vivo. As carteiras, cintos e sapatos em pele com design exclusivo e fabricados à mão, as antiguidades e as réplicas de armas serão outros pontos de interesse. A oportunidade de tomar uma bebida com os amigos numa envolvente de encantar e com um cenário natural único constituirá outro forte aliciante.
As crianças vão adorar os diferentes e coloridos brinquedos de madeira feitos à mão, a exposição permanente de aves, os passeios de burro e a quinta com animais exóticos e do campo. Os fatinhos de dançarina do ventre e os lenços árabes para a cabeça são sempre dos produtos mais procurados.
Todos juntos, em família, vão visitar a “Haima“ para tomar o verdadeiro chá árabe e por ali provarão gostos e sabores de outras paragens como os kebab. Destaque também para os crepes e as tâmaras, o fabrico de fogaças e pão, e a já famosa tenda dos cristãos locais com o suculento porco assado no espeto.
No Al Mossassa em Marvão terá perto de uma centena de pontos de venda seleccionados a pensar em si, para que viva a história e a cultura como nunca antes.
Esta é uma Festa para toda a família e uma oportunidade de visitar Marvão, aproveitar o bom ambiente, descontrair e principalmente divertir-se.»
Já a vista, pouco e pouco, se desterra
Daqueles pátrios montes, que ficavam;
Ficava o caro Tejo e a fresca serra
De Sintra, e nela os olhos se alongavam.
Ficava-nos também na amada terra
O coração, que as mágoas lá deixavam.
E já depois que toda se escondeu,
Não vimos mais, enfim, que mar e céu.
Luís de Camões, OS LUSÍADAS, V, 3
É noite. A noite é muito escura. Numa casa a uma grande distância
Brilha a luz duma janela.
Vejo-a, e sinto-me humano dos pés à cabeça.
É curioso que toda a vida do indivíduo que ali mora, e que não sei quem é,
Atrai-me só por essa luz vista de longe.
Sem dúvida que a vida dele é real e ele tem cara, gestos, família e profissão.
Mas agora só me importa a luz da janela dele.
Apesar de a luz estar ali por ele a ter acendido,
A luz é a realidade imediata para mim.
Eu nunca passo para além da realidade imediata.
Para além da realidade imediata não há nada.
Se eu, de onde estou, só veio aquela luz,
Em relação à distância onde estou há só aquela luz.
O homem e a família dele são reais do lado de lá da janela.
Eu estou do lado de cá, a uma grande distância.
A luz apagou-se.
Que me importa que o homem continue a existir?
Alberto Caeiro, in Poemas Inconjuntos
Um olhar para o mundo
Perdi o meu olhar
No meio do silêncio
Respiro outro ar
E não percebo o que sinto.
Lembro-me daquele momento,
Quando tinha...
O que será?
Será que era medo?
Talvez. Ninguém sabe.
Conheci pessoas novas
Umas boas, outras duras
Como a noite e o dia
Alguém falava, alguém sorria.
Abracei tantas ruas
Guardei muitas palavras,
Deixei de ser marcada
E já não me sinto o nada.
Mas vejo ainda os meus iguais,
A forma como usam as palavras
Tentando esconder
O que têm medo de perder
O desejo de pertencer,
O desejo de abraçar,
O desejo de amar.
Acções imprevisíveis
Que dominam aquele ser
Acções que são incríveis
Não gastando o seu poder.
Feliz, por estar aqui,
Feliz, por ter-te a ti,
Feliz, por saber o que é falar
De coisas sem pensar.
As casas, as flores,
As músicas e os sabores
Tudo me ajudou sentir
Ultrapassar e agir.
Esta árvore tem frutos
E folhas tão diferentes,
Há muitas ainda e muitos
Que nem sabem quem são eles.
A vida é um jogo
E nós, os jogadores nela
Não existe ainda aquele fogo
Capaz de apagar uma geração como aquela.
Senti a amizade
A entrar no coração
E lendo uma curiosidade
Descobri no final quem são.
Uma parte do meu “Eu”
Gosta de olhar para o céu,
Outra parte está contente
Por não ouvir “ele vai esquecer-te”!
Zinaida Mogildea, 11º A
Português Língua não Materna
