Poemas lidos pela professora Luísa Moreira e por alunos do 10ºJ.
No passado dia 9 de Março, um grupo de alunos do 10ºB - Ana Maria Comerzan, António Franco, Bruno Traguil, Constança Laranjo e João Pedro Teles, participou na 1ª Eliminatória da Olimpíadas da Energia e Alterações Climáticas dinamizadas pela APEA- Associação Portuguesa de Engenharia do Ambiente
Esta etapa foi ultrapassada com sucesso e a equipa passou à última eliminatória, na qual tem de apresentar um vídeo inovador no âmbito da temática do concurso.
Bom trabalho e ideias originais …
Professora Beatriz Quezada
Faça lá um Poema!
Faça-o lá, onde as palavras ainda tenham sentido
Faça-o aí, na esquina da vida possível,
Faça-o acolá, no bico de encontro da ternura e da desrazão,
Faça-o acoli, no mundo do silêncio da solidão.
Faça lá um Poema!
Faça-o com letras, vogais e consoantes
Faça-o com sal, açúcar e chocolate
Faça-o bem temperado com orégãos e azeite.
Faça lá um Poema!
Vista-o de sonho,
Envolva-o em utopia,
Encerre-o no Mito
Escreva-o na bruma,
Leia-o calado,
Saboreie-o selado.
Faça lá um Poema!
Onde caiba o oceano da ilusão,
Onde more Camões e Gama,
Onde ecoe Pessoa e Campos,
Onde o ritmo navegue ondulando na maresia.
Faça lá um Poema!
Mas não o diga a ninguém,
Não o cante,
Não o repita,
Não o esgote,
Só o sinta.
Faça lá um Poema!
Com as cores do arco-íris,
Com cinza roubada do céu,
Com vermelho pingado da chuva,
Com amarelo pálido do homem sem sorriso…
Faça lá um Poema!
Sentido,
Sonhado,
Tresloucado,
Sem tema!
Neuza Saldanha, 12º D
Com este poema, a Neuza ganhou o 1º prémio do Concurso «Faça Lá um Poema», promovido pelo Plano Nacional de Leitura. (PNL)
PARABÉNS, NEUZA!
A equipa feminina de futsal da ESSL defrontou no dia 14 de Março a equipa da Escola Secundária D. Sancho II, Elvas.
No passado dia 9 de Março, decorreu, em Coimbra, a 8ª Final do "Campeonato Nacional de Jogos Matemáticos". Logo de manhã, com um dia cheio de sol a começar, os representantes da ESSL, nos Jogos Matemáticos seguiram rumo a norte. Raquel Trindade no Rastros, Diogo Valdez no Hex e Fábio Oliveira no Avanço, tiveram uma boa prestação disputando os jogos da sua série. Após as eliminatórias, seguiu-se uma visita ao pavilhão de exposições no estádio universitário de Coimbra, continuando depois para o merecido almoço. Acaba assim mais uma participação dos alunos da ESSL em atividades ludico-matemáticas no âmbito da Área da Matemática.
Prof. Paulo Rodrigues
O esforço é grande e o homem é pequeno.
Eu, Diogo Cão, navegador, deixei
Este padrão ao pé do areal moreno
E para diante naveguei.
A alma é divina e a obra é imperfeita.
Este padrão sinala ao vento e aos céus
Que, da obra ousada, é minha a parte feita:
O por-fazer é só com Deus.
E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas Quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano:
O mar sem fim é português.
E a Cruz ao alto diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar
Sé encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar.
Fernando Pessoa, Mensagem (1934)
Na sala de exposições, no âmbito da semana do departamento de Ciências Sociais e Humanas, as turmas do 12.ºE, F e G de Sociologia, os Professores Adriano Capote e Joaquim Camejo, juntamente com utentes e a Diretora da Instituição C.A.S.A., Drª. Antónia Chambel, abordaram o tema da exclusão social.
No âmbito da IV Semana do departamento de Ciências Sociais e Humanas,
o deputado Pedro Marques visitou a ESSL e participou no debate intitulado
“Contributo das Políticas Fiscais e Sociais para “a (In)dignidade humana”.
Na passada 6ª feira, dia 17, decorreu o apuramento para a 8ª edição do
"Campeonato de Jogos Matemáticos", cuja final será em Coimbra, no
Estádio Universitário, no dia 9 de Março de 2012. Contando com cerca
de 50 alunos, após várias eliminatórias, foram apurados os três
finalistas: Diogo Valdez no Hex, Fábio Oliveira no Rastros e Raquel
Trindade no Avanço.
Parabéns aos vencedores!
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?
Luís de Camões
Uma enorme transformação no conceito de Natureza ocorre durante os séculos do Renascimento e dos Descobrimentos. As grandes navegações oceânicas tornam esta transformação impossível de esconder. A utilização intensiva de instrumentos, de tabelas, de mapas, bem como a circulação de pessoas, plantas e animais à escala do globo, criam a necessidade de se entender a forma nova que o mundo assume aos olhos maravilhados dos europeus. O século XVII, em que nasce a ciência moderna, consagra esta transformação. Galileu põe a terra em movimento; e o movimento está por toda a parte: não há estado de repouso no Universo. Mas, ao mesmo tempo, comete um “pecado” de consequências monumentais para o futuro – para legitimar o novo conceito de descoberta das leis naturais, Galileu identifica a Natureza com um livro tão sagrado como a Bíblia, porém escrito numa outra linguagem – a da matemática. Ora a matemática era desde os gregos indissociável da Natureza; era o próprio conhecimento rigoroso, não mitológico, da realidade, através da aritmética, da geometria, da música e da astronomia. Paradoxalmente, em poucas dezenas de anos, a matemática aparece apenas como um “instrumento” de compreensão da nova Natureza. A nova matemática (o cálculo) está separada da natureza, funcionando apenas como a sua linguagem. Um novo conhecimento das coisas naturais emerge, adoptando inclusivamente o nome latino de “scientia” para não se confundir com o antigo. A nova física (que surge como mecânica: o estudo do movimento e das forças) triunfa, acolhendo rapidamente os outros fenómenos naturais. Privada inadvertidamente do seu objecto, a matemática escolhe um caminho de progressiva abstracção como estratégia evolutiva, com grande sucesso, até aos dias de hoje. Foi preciso o Cubismo e a Mecânica Quântica para que a Natureza se voltasse a cobrir com os seus véus. Um século depois, percebemos que um conhecimento matemático novo será determinante para que o mundo que nos rodeia ganhe uma nova inteligibilidade. Nós também somos Natureza e esta percepção de base é fundamental para se equacionar a complexidade do nosso tempo. Entendeu por isso o Serviço de Ciência dedicar o ano de 2012 a pensar, de forma motivadora, nos novos caminhos abertos ou antevistos pela Matemática ao reassumir em plenitude o seu papel central de discurso sobre a Natureza.
João Caraça
Director do Serviço de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian
Fonte: http://www.gulbenkian.pt/index.php?object=160&article_id=3448&cal=eventos
Poema para Galileu
(...) Eu queria agradecer-te, Galileu,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar - que disparate Galileu!
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação -
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.
Pois não é evidente, Galileu?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa
ou que um seixo na praia?
(…)
António Gedeão
Homenagem a Eugénio Lisboa
Apresentação do livro
“Eugénio Lisboa: vário, intrépido e fecundo”
Com a presença do homenageado e por um dos seus organizadores,
Professora Doutora Otília Pires Martins e
pelo Reitor da Universidade de Aveiro Professor Doutor Manuel Assunção
Biblioteca Municipal de Portalegre
Sala Polivalente 1
dia 27 - 17 horas
O ano letivo 2011/2012 é, para Escola Secundária de S. Lourenço, um ano de mudança e renovação. O Clube do Desporto Escolar da ESSL, empenhado em levar cada vez mais longe o nome desta Escola, pretende ver reforçada a sua identidade. Assim, o grupo disciplinar de Educação Física decidiu lançar um concurso destinado à criação de um logótipo criativo e original que identifique o Clube do Desporto Escolar da ESSL - Portalegre com uma nova imagem. O logótipo vencedor será estampado nos equipamentos dos grupos equipa.
Ao entardecer, debruçado pela janela,
E sabendo de soslaio que há campos em frente,
Leio até me arderem os olhos
O livro de Cesário Verde.
Que pena que tenho dele! Ele era um camponês
Que andava preso em liberdade pela cidade.
Mas o modo como olhava para as casas,
E o modo como reparava nas ruas,
E a maneira como dava pelas cousas,
É o de quem olha para árvores,
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando
E anda a reparar nas flores que há pelos campos ...
Por isso ele tinha aquela grande tristeza
Que ele nunca disse bem que tinha,
Mas andava na cidade como quem anda no campo
E triste como esmagar flores em livros
E pôr plantas em jarros...
Alberto Caeiro
Sophia de Mello Breyner Andresen
esperamos todos
o dealbar de um rosto
a aparição de outra coisa
entre o chão de limos e o rumor dos freixos
esperamos
às portas fechadas do mar
a onda favorável que nos leve ao outro lado
o sopro redentor
o expansivo meio em que a alegria nasce
(…)
José Augusto Mourão, O Nome e a Forma
Para não fazeres ofensas
e teres dias felizes,
não digas tudo o que pensas,
mas pensa tudo o que dizes.
Mentiu com habilidade,
fez quantas mentiras quis;
agora fala verdade
ninguém crê no que ele diz.
Não sou esperto nem bruto,
nem bem nem mal educado:
sou simplesmente o produto
do meio em que fui criado.
Vemos gente bem vestida,
no aspecto desassombrada;
são tudo ilusões da vida,
tudo é miséria dourada.
Sei que pareço um ladrão...
mas há muitos que eu conheço
que, não parecendo o que são,
são aquilo que eu pareço.
António Aleixo
A Luz que Vem das Pedras
A luz que vem das pedras, do íntimo da pedra,
tu a colhes, mulher, a distribuis
tão generosa e à janela do mundo.
O sal do mar percorre a tua língua;
não são de mais em ti as coisas mais.
Melhor que tudo, o voo dos insectos,
o ritmo nocturno do girar dos bichos,
a chave do momento em que começa o canto
da ave ou da cigarra
— a mão que tal comanda no mesmo gesto fere
a corda do que em ti faz acordar
os olhos densos de cada dia um só.
Quem está salvando nesta respiração
boca a boca real com o universo?
Pedro Tamen, in Agora, Estar
Fado Português
O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.
Ai, que lindeza tamanha,
meu chão , meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.
Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.
Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.
Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro veleiro
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.
José Régio, Poemas de Deus e do Diabo
(D. D. D.)
Creio em ti, Deus; a fé viva
De minha alma a ti se eleva.
És: - o que és não sei. Deriva
Meu ser do teu: luz... e treva,
Em que - indistintas! - se envolve
Este espírito agitado,
De ti vêm, a ti devolve.
O Nada, a que foi roubado
Pelo sopro criador
Tudo o mais, o há-de tragar.
Só vive do eterno ardor
O que está sempre a aspirar
Ao infinito donde veio.
Beleza és tu, luz és tu,
Verdade és tu só. Não creio
Senão em ti; o olho nu
Do homem não vê na terra
Mais que a dúvida, a incerteza,
A forma que engana e erra.
Essência! a real beleza,
O puro amor - o prazer
Que não fatiga e não gasta...
Só por ti os pode ver
O que, inspirado, se afasta,
Ignoto Deo, das ronceiras,
Vulgares turbas: despidos
Das coisas vãs e grosseiras
Sua alma, razão, sentidos,
A ti se dão, em ti vida,
E por ti vida têm. Eu, consagrado
A teu altar, me prostro e a combatida
Existência aqui ponho, aqui votado
Fica este livro - confissão sincera
Da alma que a ti voou e em ti só spera.
Almeida Garrett, Folhas Caídas.
Livro comemorativo dos 30 anos da CERCI PORTALEGRE
Autoria de Carlos Garcia de Castro e Raul Ladeira
Edições Colibri, 2011
«Ora aqui estamos nesta casa nobre,
onde reside a nossa condição,
sermos criança ainda em corpo vindo
do tempo convocado para crescermos
na inocência dum destino humano».
Carlos Garcia de Castro