segunda-feira, 19 de novembro de 2012
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Pirata
Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.
Gosto de uivar no vento com os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.
A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.
Sophia de Mello Breyner Andresen
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
terça-feira, 6 de novembro de 2012
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Eugénio de Andrade
Urgentemente
É urgente o amor
É urgente um barco no mar
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
Eugénio de Andrade, in Até Amanhã
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Sabemos muito pouco de Camões
terça-feira, 23 de outubro de 2012
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Manuel António Pina (1943-2012)
A um Jovem Poeta
Procura a rosa.
Onde ela estiver
estás tu fora
de ti. Procura-a em prosa, pode ser
que em prosa ela floresça
ainda, sob tanta
metáfora; pode ser, e que quando
nela te vires te reconheças
como diante de uma infância
inicial não embaciada
de nenhuma palavra
e nenhuma lembrança.
Talvez possas então
escrever sem porquê,
evidência de novo da Razão
e passagem para o que não se vê.
Manuel António Pina, in Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Escrever
Escrever é……
Escrever é mais do que fazer rabiscos numa folha de papel, escrever é mais do que escrever um monte de palavras, escrever é a libertação de sentimentos.
Escrever é conseguir passar para uma folha de papel as nossas emoções, para escrever é preciso aprender.
Para escrever não basta saber manusear um lápis ou uma caneta, é preciso saber manusear a nossa imaginação, é preciso saber agarrar as palavras.
Escreve é viajar entre as palavras e conseguir chegar ao seu destinatário.
Escrever é a arte e o incerto, é um mistério «inconcreto», é o futuro em aberto.
Escrever é falar com quem não vemos, ouvir quem nada nos diz, conversar com quem nos despreza, aprender com quem nada ensina, ensinar a quem não quer aprender.
Rita Serrano, 11ºG
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Escrever
Escrever. Porque escrevo? Escrevo para criar um espaço habitável da minha necessidade, do que me oprime, do que é difícil e excessivo. Escrevo porque o encantamento e a maravilha são verdade e a sua dedução é mais forte do que eu. Escrevo porque o erro, a degradação e a injustiça não devem ter razão. Escrevo para tornar possível a realidade, os lugares, tempos, pessoas que esperam que a minha escrita os desperte do seu modo confuso de serem. E para evocar e fixar o percurso que realizei, as terras, gentes e tudo o que vivi e que só na escrita eu posso reconhecer por nela recuperarem a sua essencialidade, a sua verdade emotiva, que é a primeira e a última que nos liga ao Mundo. Escrevo para tornar visível o mistério das coisas. Escrevo para ser. Escrevo sem razão.
Vergílio Ferreira, Pensar