sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Conto «Natal»

Leitura expressiva do conto «Natal» de Miguel Torga. Alunos do 7ºA. Profª Luísa Moreira

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Manifesto Anti-Leitura

 

“UMA GERAÇÃO QUE LÊ É UMA GERAÇÃO QUE PENSA!
UMA GERAÇÃO QUE LÊ É UMA GERAÇÃO QUE DUVIDA!
UMA GERAÇÃO QUE LÊ É UMA GERAÇÃO QUE QUESTIONA!
UMA GERAÇÃO QUE LÊ É UMA GERAÇÃO QUE CRITICA!

UMA GERAÇÃO QUE PENSA E DUVIDA E QUESTIONA E CRITICA NÃO ENGOLE QUALQUER PATRANHA QUE LHE QUEIRAM ENFIAR! NÃO OBEDECE! NÃO SE BAIXA! NÃO SE CALA! UMA GERAÇÃO QUE LÊ E PENSA É UM PERIGO[…]

A LEITURA FAZ-NOS VIAJAR POR LUGARES MAL FREQUENTADOS COMO A ILHA DO TESOURO, O BECO DAS SARDINHEIRAS DO MÁRIO DE CARVALHO, OS MARES DO ‘MOBY DICK’, A BUENOS AIRES DE BORGES, A PARIS DE MARCEL PROUST, A LONDRES DE OSCAR WILDE, A MOSCOVO DE TOLSTOI!

A LEITURA FAZ-NOS RIR DE PESSOAS SÉRIAS E RESPONSÁVEIS COMO O CONDE DE ABRANHOS, O SANCHO PANÇA OU O ESCRITURÁRIO BARTHLEBY. […]

A LEITURA PREJUDICA GRAVEMENTE A IGNORÂNCIA!


E SEM IGNORÂNCIA O PAÍS NÃO PROGRIDE! NÃO CRESCEM OS JUROS! NÃO SE INVESTE NAS OFF-SHORES! O ESTADO NÃO VENDE EMPRESAS ABAIXO DO PREÇO AOS PARTICULARES! O PREÇO DA GASOLINA NÃO SOBE! […]

SE PUSEREM UM LIVRO À VOSSA FRENTE, CAROS AMIGOS, CUIDADO! DESVIEM O OLHAR! NÃO ABRAM NEM UMA PÁGINA! PODE BASTAR UM VERSO PARA VOS CONTAMINAR! UM HOMEM QUE LÊ PODE DESEJAR VIVER NUM MUNDO MELHOR! PODE DE REPENTE SENTIR AS LÁGRIMAS CORREREM-LHE PELA CARA ABAIXO! PODE QUERER SUBITAMENTE AJUDAR OS AFLITOS! PODE ABRAÇAR ESTUPIDAMENTE UM AMIGO OU BEIJAR OS LÁBIOS DE UMA RAPARIGA BELA COMO UM RAIO DE SOL A ILUMINAR A MAIS BELA ROSA DO JARDIM!

POR ISSO É PRECISO FECHAR AS PORTAS AOS ANTROS DE LEITURA [AS BIBLIOTECAS]!

SABEMOS QUE PODE PARECER DOLOROSO MAS É FUNDAMENTAL ARRANCAR DE VEZ OS LIVROS DAS MÃOS DOS VICIADOS E IMPEDI-LOS DE LER UMA LINHA SEQUER! SE FOR PRECISO TAPEM-LHES OS OLHOS! É PRECISO PREPARAR O FUTURO DOS NOSSOS FILHOS! NÃO LHES DAR ILUSÕES, NEM SONHOS, NEM ALEGRIAS! NEM DÚVIDAS, NEM SABEDORIA, NEM NADA!"


José Fanha

in http://livros-e-coisas-de-paranhos.blogspot.pt

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A UM POETA


Tu que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares, 
Longe da luta e do fragor terreno.

Acorda! É tempo! O sol, já alto e pleno
Afugentou as larvas tumulares... 
Para surgir do seio desses mares 
Um mundo novo espera só um aceno...

Escuta! É a grande voz das multidões! 
São teus irmãos, que se erguem! São canções... 
Mas de guerra... e são vozes de rebate!

Ergue-te, pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro, 
Sonhador, faz espada de combate!


Antero de Quental (1842-1891)

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Pirata

Sou o único homem a bordo do meu barco.

Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.


Gosto de uivar no vento com os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.


A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, 6 de novembro de 2012

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Eugénio de Andrade

Urgentemente

É urgente o amor
É urgente um barco no mar


É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.


É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.


Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.


Eugénio de Andrade, in Até Amanhã

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Sabemos muito pouco de Camões


Sabemos muito pouco de Camões,
Mal sabemos quem foram os seus pais,
Quanto ao seu nascimento há discussões,
Dos seus estudos não se sabe mais.
Passou dezassete anos aos baldões
Na Índia e em paragens orientais.
Fazia belos versos muitas vezes.
N’Os Lusíadas canta os Portugueses.

 

Quando voltou a Portugal, saiu
O seu livro. Camões era tão pobre
Que não se sabe como o conseguiu.
Talvez tivesse a ajuda de algum nobre
E ajuda com certeza ele pediu.
Enfim, o livro sai e se descobre
Que aquele altivo português de gema
Pusera a nossa História num poema.
 

Esse poema chama-se epopeia
Que era uma forma usada antigamente
Em que um herói levando a vida cheia
De combates terríveis segue em frente
E acaba vencedor, porque guerreia
Em nome do seu povo e é tão valente
Que em coragem e força é sobre-humano.
O povo aqui é o peito lusitano.
 

Para o fazer, Camões usou a oitava
Que é feita de oito versos a rimar.
Até ao sexto as rimas alternava,
Nos dois finais a rima vai a par.
Com oitavas assim, organizava
Essa história que tinha de contar
Em cantos que são dez e a nós, ao lê-los,
Espanta como pôde ele escrevê-los.

 

A Dom Sebastião, que assim se chama
O jovem rei de Portugal, oferece
O seu poema e lhe promete a fama
Que a nossa terra junto ao mar merece.
Diz como navegou Vasco da Gama
Mas conta a nossa História, não se esquece

Do que antes sucedeu, nem dos perigos
Que o mar nos fez correr, mais que aos antigos.

 

Vasco Graça Moura in Os Lusíadas para gente nova, pp. 11-12 [fonte: Gradiva]

 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Manuel António Pina (1943-2012)

Manuel António Pina

 

A um Jovem Poeta

Procura a rosa.
Onde ela estiver
estás tu fora
de ti. Procura-a em prosa, pode ser


que em prosa ela floresça
ainda, sob tanta
metáfora; pode ser, e que quando
nela te vires te reconheças


como diante de uma infância
inicial não embaciada
de nenhuma palavra
e nenhuma lembrança.


Talvez possas então
escrever sem porquê,
evidência de novo da Razão
e passagem para o que não se vê.


Manuel António Pina, in Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança