quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Conto «Natal»
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Manifesto Anti-Leitura
“UMA GERAÇÃO QUE LÊ É UMA GERAÇÃO QUE PENSA!
UMA GERAÇÃO QUE LÊ É UMA GERAÇÃO QUE DUVIDA!
UMA GERAÇÃO QUE LÊ É UMA GERAÇÃO QUE QUESTIONA!
UMA GERAÇÃO QUE LÊ É UMA GERAÇÃO QUE CRITICA!
UMA GERAÇÃO QUE PENSA E DUVIDA E QUESTIONA E CRITICA NÃO ENGOLE QUALQUER PATRANHA QUE LHE QUEIRAM ENFIAR! NÃO OBEDECE! NÃO SE BAIXA! NÃO SE CALA! UMA GERAÇÃO QUE LÊ E PENSA É UM PERIGO[…]
A LEITURA FAZ-NOS VIAJAR POR LUGARES MAL FREQUENTADOS COMO A ILHA DO TESOURO, O BECO DAS SARDINHEIRAS DO MÁRIO DE CARVALHO, OS MARES DO ‘MOBY DICK’, A BUENOS AIRES DE BORGES, A PARIS DE MARCEL PROUST, A LONDRES DE OSCAR WILDE, A MOSCOVO DE TOLSTOI!
A LEITURA FAZ-NOS RIR DE PESSOAS SÉRIAS E RESPONSÁVEIS COMO O CONDE DE ABRANHOS, O SANCHO PANÇA OU O ESCRITURÁRIO BARTHLEBY. […]
A LEITURA PREJUDICA GRAVEMENTE A IGNORÂNCIA!
E SEM IGNORÂNCIA O PAÍS NÃO PROGRIDE! NÃO CRESCEM OS JUROS! NÃO SE INVESTE NAS OFF-SHORES! O ESTADO NÃO VENDE EMPRESAS ABAIXO DO PREÇO AOS PARTICULARES! O PREÇO DA GASOLINA NÃO SOBE! […]
SE PUSEREM UM LIVRO À VOSSA FRENTE, CAROS AMIGOS, CUIDADO! DESVIEM O OLHAR! NÃO ABRAM NEM UMA PÁGINA! PODE BASTAR UM VERSO PARA VOS CONTAMINAR! UM HOMEM QUE LÊ PODE DESEJAR VIVER NUM MUNDO MELHOR! PODE DE REPENTE SENTIR AS LÁGRIMAS CORREREM-LHE PELA CARA ABAIXO! PODE QUERER SUBITAMENTE AJUDAR OS AFLITOS! PODE ABRAÇAR ESTUPIDAMENTE UM AMIGO OU BEIJAR OS LÁBIOS DE UMA RAPARIGA BELA COMO UM RAIO DE SOL A ILUMINAR A MAIS BELA ROSA DO JARDIM!
POR ISSO É PRECISO FECHAR AS PORTAS AOS ANTROS DE LEITURA [AS BIBLIOTECAS]!
SABEMOS QUE PODE PARECER DOLOROSO MAS É FUNDAMENTAL ARRANCAR DE VEZ OS LIVROS DAS MÃOS DOS VICIADOS E IMPEDI-LOS DE LER UMA LINHA SEQUER! SE FOR PRECISO TAPEM-LHES OS OLHOS! É PRECISO PREPARAR O FUTURO DOS NOSSOS FILHOS! NÃO LHES DAR ILUSÕES, NEM SONHOS, NEM ALEGRIAS! NEM DÚVIDAS, NEM SABEDORIA, NEM NADA!"
José Fanha
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
A UM POETA
Tu que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares,
Longe da luta e do fragor terreno.
Acorda! É tempo! O sol, já alto e pleno
Afugentou as larvas tumulares...
Para surgir do seio desses mares
Um mundo novo espera só um aceno...
Escuta! É a grande voz das multidões!
São teus irmãos, que se erguem! São canções...
Mas de guerra... e são vozes de rebate!
Ergue-te, pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador, faz espada de combate!
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Pirata
Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.
Gosto de uivar no vento com os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.
A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.
Sophia de Mello Breyner Andresen
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
terça-feira, 6 de novembro de 2012
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Eugénio de Andrade
Urgentemente
É urgente o amor
É urgente um barco no mar
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
Eugénio de Andrade, in Até Amanhã
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Sabemos muito pouco de Camões
terça-feira, 23 de outubro de 2012
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Manuel António Pina (1943-2012)
A um Jovem Poeta
Procura a rosa.
Onde ela estiver
estás tu fora
de ti. Procura-a em prosa, pode ser
que em prosa ela floresça
ainda, sob tanta
metáfora; pode ser, e que quando
nela te vires te reconheças
como diante de uma infância
inicial não embaciada
de nenhuma palavra
e nenhuma lembrança.
Talvez possas então
escrever sem porquê,
evidência de novo da Razão
e passagem para o que não se vê.
Manuel António Pina, in Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança
