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DERIVA

Vi as águas os cabos vi as ilhas E o longo baloiçar dos coqueirais Vi lagunas azuis como safiras Rápidas aves furtivos animais Vi prodígios espantos maravilhas Vi homens nus bailando nos areais E ouvi o fundo som das suas falas Que já nenhum de nós entendeu mais Vi ferros e vi setas e vi lanças Oiro também à flor das ondas finas E o diverso fulgor de outros metais Vi pérolas e conchas e corais Desertos fontes trémulas campinas Vi o frescor das coisas naturais Só do Preste João não vi sinais As ordens que levava não cumpri E assim contando tudo quanto vi Não sei se tudo errei ou descobri Sophia de Mello Breyner Andresen

FELIZ NATAL

 

Natal

  esperamos todos o dealbar de um rosto a aparição de outra coisa entre o chão de limos e o rumor dos freixos   esperamos às portas fechadas do mar a onda favorável que nos leve ao outro lado o sopro redentor o expansivo meio em que a alegria nasce (…)   José Augusto Mourão, O Nome e a Forma

Natal

   

Portalegre ao anoitecer

 

António Aleixo

  Para não fazeres ofensas e teres dias felizes, não digas tudo o que pensas, mas pensa tudo o que dizes.   Mentiu com habilidade, fez quantas mentiras quis; agora fala verdade ninguém crê no que ele diz.   Não sou esperto nem bruto, nem bem nem mal educado: sou simplesmente o produto do meio em que fui criado.   Vemos gente bem vestida, no aspecto desassombrada; são tudo ilusões da vida, tudo é miséria dourada.   Sei que pareço um ladrão... mas há muitos que eu conheço que, não parecendo o que são, são aquilo que eu pareço.     António Aleixo

Presépio (12ºH, Artes)

LUZ

A Luz que Vem das Pedras A luz que vem das pedras, do íntimo da pedra, tu a colhes, mulher, a distribuis tão generosa e à janela do mundo. O sal do mar percorre a tua língua; não são de mais em ti as coisas mais. Melhor que tudo, o voo dos insectos, o ritmo nocturno do girar dos bichos, a chave do momento em que começa o canto da ave ou da cigarra — a mão que tal comanda no mesmo gesto fere a corda do que em ti faz acordar os olhos densos de cada dia um só. Quem está salvando nesta respiração boca a boca real com o universo? Pedro Tamen, in Agora, Estar

Fado, Património Imaterial

  Fado Português O Fado nasceu um dia, quando o vento mal bulia e o céu o mar prolongava, na amurada dum veleiro, no peito dum marinheiro que, estando triste, cantava, que, estando triste, cantava. Ai, que lindeza tamanha, meu chão , meu monte, meu vale, de folhas, flores, frutas de oiro, vê se vês terras de Espanha, areias de Portugal, olhar ceguinho de choro. Na boca dum marinheiro do frágil barco veleiro, morrendo a canção magoada, diz o pungir dos desejos do lábio a queimar de beijos que beija o ar, e mais nada, que beija o ar, e mais nada. Mãe, adeus. Adeus, Maria. Guarda bem no teu sentido que aqui te faço uma jura: que ou te levo à sacristia, ou foi Deus que foi servido dar-me no mar sepultura. Ora eis que embora outro dia, quando o vento nem bulia e o céu o mar prolongava, à proa de outro veleiro velava outro marinheiro que, estando triste, cantava, que, estando triste, cantava. José Régio, Poemas de Deus e do Diabo

Ignoto Deo

  ( D. D. D.) Creio em ti, Deus; a fé viva De minha alma a ti se eleva. És: - o que és não sei. Deriva Meu ser do teu: luz... e treva, Em que - indistintas! - se envolve Este espírito agitado, De ti vêm, a ti devolve. O Nada, a que foi roubado Pelo sopro criador Tudo o mais, o há-de tragar. Só vive do eterno ardor O que está sempre a aspirar Ao infinito donde veio. Beleza és tu, luz és tu, Verdade és tu só. Não creio Senão em ti; o olho nu Do homem não vê na terra Mais que a dúvida, a incerteza, A forma que engana e erra. Essência! a real beleza, O puro amor - o prazer Que não fatiga e não gasta... Só por ti os pode ver O que, inspirado, se afasta, Ignoto Deo, das ronceiras, Vulgares turbas: despidos Das coisas vãs e grosseiras Sua alma, razão, sentidos, A ti se dão, em ti vida, E por ti vida têm. Eu, consagrado A teu altar, me prostro e a combatida Existência aqui ponho, aqui votado Fica este livro - confissão sincera Da alma que a ti voou ...

o dia do outro lado

    Livro comemorativo dos 30 anos da CERCI PORTALEGRE Autoria de Carlos Garcia de Castro e Raul Ladeira Edições Colibri, 2011     «Ora aqui estamos nesta casa nobre, onde reside a nossa condição, sermos criança ainda em corpo vindo do tempo convocado para crescermos na inocência dum destino humano». Carlos Garcia de Castro

PRAIA

  Na luz oscilam os múltiplos navios Caminho ao longo dos oceanos frios As ondas desenrolam os seus braços E brancas tombam de bruços A praia é lis e longa sob o vento Saturada de espaços e maresia E para trás fica o murmúrio Das ondas enroladas como búzios. Sophia de Mello Breyner

Adeus

  Às vezes é nos silêncios mais medonhos, Que encontro na luz crua do olhar, A imensidão perdida dos meus sonhos, Nos contornos nus e rudes do lugar. E um grito de infinito em vulcão, Rebenta em mim como lava de luar, O verso em flor na minha mão, Até tocar-me a alma a soluçar. Que linda a Vida! Adeus, Adeus… Deixo-vos estes versos que são meus, E louvo a Deus na eternidade. Kyrie Eleison! Toquem os céus, Meus versos brandos como véus, E doces como lágrimas de saudade. Raul Cóias Dias   PS- Homenagem ao colega Cóias, que nos deixou há dias.

Concurso PORDATA

PORDATA.PT

DIA DA FILOSOFIA, 17 DE NOVEMBRO

Dia da Filosofia na biblioteca.

Valor do Tempo

  Procede deste modo, caro Lucílio: reclama o direito de dispores de ti, concentra e aproveita todo o tempo que até agora te era roubado, te era subtraído, que te fugia das mãos. Convence-te de que as coisas são tal como as descrevo: uma parte do tempo é-nos tomada, outra parte vai-se sem darmos por isso, outra deixamo-la escapar. Mas o pior de tudo é o tempo desperdiçado por negligência. Se bem reparares, durante grande parte da vida agimos mal, durante a maior parte não agimos nada, durante toda a vida agimos inutilmente. Séneca, Cartas a Lucílio , Carta I.

Testes Intermédios

  Informações: http://www.gave.min-edu.pt/np3/9.html

Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa

Poema em LGP - Língua Gestual Portuguesa

Festival de Balonismo, Alentejo

  08 - Novembro (Terça-feira) 07h30 - 10h00 - 3º Voo - Fronteira 15h30 - 17h00 - 4º Voo - Fronteira 09 - Novembro (Quarta-Feira) 07h30-10h00 - 5º Voo - Alter do Chão 15h30-17h00 - 6º Voo - Alter do Chão 10 - Novembro (Quinta-Feira) 07h30 - 10h00 - 7º Voo - Fronteira 15h30 - 17h00 - 8º Voo - Fronteira 11 - Novembro (Sexta-Feira) 07h30 - 10h00 - 9º Voo - Alter do chão 15h30 - 17h00 - 10º Voo - Alter do chão 12 - Novembro (Sábado) 07h30 - 10h00 - 11º Voo - Fronteira 15h30 - 17h00 - 12º Voo - Fronteira 13 - Novembro (Domingo) 07h30 -10h00 - 13º Voo - Cabeço de Vide   http://www.cm-alter-chao.pt/

missão

  para dominares a terra te dei as mãos e sementes de justiça semeei no coração do mundo (…) para ergueres sobre a guerra o teu corpo expatriado e exangue te enviei soldado de todas as fronteiras   para seres junto dos povos a lucerna o gume a quase pátria te dei o meu Espírito   sempre caminhei adiante de ti como promessa e sempre como a um filho te enchi os olhos de futuro   para dominares a terra te dei as mãos e sementes de justiça semeei no coração do mundo     José Augusto Mourão, O Nome e a Forma