O meu heterónimo Heterónimo, dizes-me. É tão simples como isso, um Heterónimo. Levantas a voz, como se o sonho te pertencesse. Ele não te pertence, é meu. Fui eu que te sonhei, fui eu que te imaginei e fui eu que te dei vida, neste mundo imaginário criado pelo meu pensamento cansado. Imaginação, não passas disso. Sentir? Não acredito que o consigas fazer. Pensar? Tão pouco. Os teus olhos são vazios. Não têm esperança nem sonhos. Dizes sonhar dessa maneira? Não sejas patético. Apenas sonha quem existe, quem pensa e sente. Eu sonho porque te criei, e criei-te porque sonho. Não és mais que a minha vontade de comover com a razão e de pensar com o coração. És o impossível em mim, e por isso sei que não existes para além desta corrente de pensamentos adormecidos a que chamamos sonhos. Dizes amar mais do que alguma vez amei. Dizes sentir muito mais do que alguma vez senti. Abalas-me o coração com essa certeza viva e sentida. Mas, nem por isso, os teus olhos começam a bri...
Blogue da Biblioteca da Escola Secundária de S. Lourenço, Portalegre.