segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Nos 74 anos da morte de Fernando Pessoa 30/11/1935 - 30/11/2009


O INFANTE


Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

Fernando Pessoa, Mensagem

TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos

sábado, 28 de novembro de 2009

Newton e a Vénus de Milo

O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo.
O que há é pouca gente para dar por isso.

óóóó - óóóóóóóóó - óóóóóóóóóóóóóóóóóóóóó

(O vento lá fora).

Álvaro de Campos

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

FOTOGRAFIA VENCEDORA DO CONCURSO DE FOTOGRAFIA - ESSL/IPJ


João Paulo Brazão - "A Espera"

LIBERDADE

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...


Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.


Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Reflexões sobre a crise I

Importância do investimento em tempo de crise

Eu, enquanto estudante de Economia, sou um dos muitos que têm o privilégio de assistir a uma das piores crises económicas de todos os tempos - cada uma delas é sempre mais desafiadora que a anterior.

Um país pode optar por dormitar à espera que os efeitos da crise passem milagrosamente despercebidos, despertando perante um estado de caos socioeconómico, resultado de uma ineficácia na criação de mecanismos de defesa e de resistência à crise. Todavia, o país pode, e deve, assumir uma posição de combate à crise, nomeadamente através do investimento.

Num ambiente de forte especulação financeira e de incerteza quanto ao futuro económico, a falta de confiança no mercado e a insegurança no investimento, dominam o centro de discussão e debate desta crise. Em tempo de crise, as empresas concentram meios e mecanismos de forma a garantir os seus equilíbrios económico-financeiros, fazendo reduzir postos de trabalho e contribuindo, assim, para a sua amplificação.

Perante este quadro, as empresas diminuem, forçosamente, a sua capacidade de investimento, procurando no Estado apoios que lhes permitam garantir a solidez que precisam para se manterem no mercado. Desta forma, o Estado pode optar por fornecer esses apoios a pedido das empresas, nomeadamente ao nível da disponibilização de linhas de crédito. No entanto, o Estado não é portador de garantias que lhe permitam assegurar que os fundos fornecidos às empresas serão aplicados nas áreas mais estratégicas e com a eficácia económica necessária ao estímulo sustentado da Economia.

Assim sendo, na ausência de investimentos privados, cabe ao Estado, enquanto presumido conhecedor da realidade económica, assumir-se como centro de decisão, promovendo o investimento público como indicador de eficácia económica e de confiança no combate à crise.

O investimento público, através da insígnia das obras públicas, permite a criação de fluxos económicos e, portanto, permite um relacionamento constante entre os vários agentes económicos com esperados efeitos multiplicadores.

Sendo as obras públicas um investimento estatal e, por isso, suportado por todos os contribuintes do país, o Estado deve tomar particular atenção ao custo de oportunidade de cada um desses projectos, tendo como referência os benefícios que deixará de obter por rejeitar opções alternativas. Com o problema económico especialmente exacerbado durante uma crise, haverá sempre a necessidade de, com todo o rigor, calcular o custo de oportunidade e de garantir a racionalidade económica de um investimento público.

Quando o Estado não tem capacidade para auto-financiar os seus projectos, há a necessidade de recorrer ao financiamento externo, o que, em última análise, acabará por penalizar as empresas através do encarecimento do crédito. Por isso, é urgente que o país reúna, ao longo dos anos, condições de boa governação que lhe garantam, em situações como a que hoje vivenciamos, uma maior margem de auto-financiamento evitando, assim, o endividamento excessivo do país.

No caso português, a renovação do Parque Escolar surge-nos com várias ópticas favoráveis à sua concretização, nomeadamente ao nível da necessidade de travar a degradação e de modernizar as escolas públicas, como também ao nível de conceber projectos de referência do investimento público no contexto da actual crise económica.

Em discussão pública encontram-se, actualmente, grandes obras públicas de referência, como as linhas de alta velocidade e o novo Aeroporto de Lisboa. A estes projectos está, como anteriormente referi, subjacente o custo de oportunidade e a racionalidade económica, para além de outros factores de ordem política e social.

Em resumo, interessa captar a importância que o investimento em obras públicas tem para a dinâmica económica do mercado. No decorrer de uma crise, o importante é não dormitarmos porque, ao acordarmos, poderemos estar perante Economias completamente transformadas, preparadas para o futuro, enquanto nós nos dedicaremos a contar os mortos e curar os feridos que resultaram de uma estratégia de combate à crise falhada e pouco mobilizadora.

Carlos Raimundo, nº3, 11ºE

Reflexões sobre a crise II

A crise e os seus desafios de mudança para a empresa

Encontramo-nos hoje a viver uma das que muitos especialistas consideram como a pior crise desde a Grande Depressão. Não obstante, uma crise deve ser encarada não mais apenas como um momento de importante transformação do mundo económico, repleto de novos desafios e rupturas mas, sobretudo, de oportunidades únicas para a mudança e o desenvolvimento.

Depois da recuperação e da retoma económica, nada mais será como dantes. Estaremos perante uma economia transformada, onde os mais fortes prevaleceram e os menos fortes fracassaram. Dessa forma se nos revelarão os efeitos mais perversos e cruéis da destruição criadora que aniquila aquilo que os mercados rejeitam e semeia um mercado mais forte e exigente. Este é o momento de agir e dele sairemos mais fortes se tivermos a audácia e a coragem para tomarmos decisões assumidamente arriscadas.

É tempo de fazer opções

A empresa, enquanto agente económico do qual se exige uma responsabilidade acrescida, ao ser marcada pelos efeitos denotativos de uma transformação económica, pode optar por vários rumos que ditarão a sua continuidade – ou não – no mercado.

Num quadro degradado, económica e financeiramente irreversível, a empresa optará por abrir falência, enviando os seus trabalhadores para as fileiras do desemprego. Todavia, é importante reflectir sobre as consequências de uma reacção a curto ou a longo prazo. Abrir falência a longo prazo terá como principal consequência a forte pressão exercida sobre a estrutura económico-financeira durante o período de recessão, podendo condicionar, e até mesmo comprometer, eventuais remunerações e indemnizações do factor trabalho.

Ao verificar que os seus produtos e o custo médio de produção a eles associados deixaram de ter a competitividade suficiente para se demarcarem positivamente dos seus concorrentes, a empresa poderá, ao invés, procurar a existência de nichos de mercado, assumindo um papel importante para a inovação, para a introdução de novos produtos no mercado, aumentando a sua vantagem competitiva, numa atitude pró-activa.

Aos rumos acima estará sempre implícito o pragmatismo que é exigido na escolha de uma das opções, isto é, a necessidade de adoptar medidas urgentes, ainda que contestadas, a fim de solucionar um problema.

Certo é que, manter o mesmo rumo, desde logo condenado, é o mesmo que declarar o estado de óbito de uma empresa, levando-a à rotura irreversível.

Novas Oportunidades

Especialmente numa fase de mudança profunda como a actual, surgem oportunidades únicas no ramo empresarial determinadas pelas políticas públicas de estímulo à economia. Os factores de produção tendem a deslocar-se para onde surgirem as melhores oportunidades e, por isso, é importante, para a empresa, garantir bons estímulos económicos de forma a evitar a deslocalização para o exterior.

Durante uma transformação económica maior surge, por isso, a necessidade de reajustar os objectivos de uma empresa, sendo, por vezes, necessário o desenvolvimento de um plano de recuperação estratégica.

Pragmatismo e responsabilidade

A contestação e a oposição a esses planos, por razões doutrinárias, podem levar à rejeição de eventuais propostas que permitam a recuperação da empresa. Portanto, em momentos como o que hoje vivenciamos é especialmente exigida a responsabilidade e a consciência de todos os agentes económicos para a tomada de decisões difíceis e que implicam um elevado risco.

A Economia é uma ciência social em constante reconstrução por determinação dos ciclos de mudança e de transformação da realidade. A economia é uma parte de cada um de nós. Cabe-nos, por isso, retirar aquilo que de mais consistente nos pode dar a Ciência Económica e assumir uma postura pragmática quando nos surgem alertas de mudança para que possamos sair mais fortes de uma recessão – é este o desafio para que estamos convocados.

Carlos Raimundo, 11º ano, ESSL

Banco de Itens do Gave

Muito útil para a preparação de exames. E não só. Para conhecer!
Gave.

Futura Biblioteca da ESSL