quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

CRISTOVAM PAVIA

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Cristovam Pavia, Poesia

Edição de Joana Morais Varela

Prefácio de Fernando J. B. Martinho

Publicações D. Quixote, 2010

 

Pavia

Sebastião da Gama, José Régio e Cristovam Pavia

POESIA

O lírico segredo

Por ninguém desvendado

Na manhã de neblina

Deixá-lo ir assim…

Eu fico livre e calmo,

Sem amor, sem saudade…

O peso das palavras

Evolou-se… Neblina…

E a poesia nasce

Como se fosse música…

 

Cristovam Pavia

 

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

LANÇAMENTO DA REVISTA PROFFORMA

 

 

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Hoje, às 11h, no Centro de Formação de Professores do Nordeste Alentejano (CEFOPNA), foi lançado o 1º número da revista online PROFFORMA.

http://cefopna.edu.pt/revista/

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

NATAL

O Natal não é ornamento

O Natal não é ornamento: é fermento
É um impulso divino que irrompe pelo interior da história
Uma expectativa de semente lançada
Um alvoroço que nos acorda
para a dicção surpreendente que Deus faz
da nossa humanidade

O Natal não é ornamento: é fermento
Dentro de nós recria, amplia, expande

O Natal não se confunde com o tráfico sonolento dos símbolos
nem se deixa aprisionar ao consumismo sonoro de ocasião
A simplicidade que nos propõe
não é o simplismo ágil das frases-feitas
Os gestos que melhor o desenham
não são os da coreografia previsível das convenções

O Natal não é ornamento: é movimento
Teremos sempre de caminhar para o encontrar!
Entre a noite e o dia
Entre a tarefa e o dom
Entre o nosso conhecimento e o nosso desejo
Entre a palavra e o silêncio que buscamos
Uma estrela nos guiará

José Tolentino Mendonça

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

PADRE PATRÃO

Padre Patrão


Dizia

Que não queria

«saber disso para nada»

Mas queria

E sabia

Oh se sabia

Tinha essa forma subtil

De dar a bofetada

A quem merecia

Artista plasmado na anarquia

Sempre em busca do belo e do profundo

Generoso

Um pouco vagabundo

E presunçoso

Por caminhar sozinho a sua estrada

Ai como relembro agora o que ele dizia


Francisco Salgado, Noves Fora…, poema em memória do Padre Patrão

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

SILÊNCIO


O SILÊNCIO


Regressamos a uma terra misteriosa

trazemos uma ferida

e o corpo ferido

imprevistamente nos volta

para margens mais remotas

Giorgio Armani tinha declarado

àquele jornal inglês: «o luxo desagrada-me,

é anti-democrático.

Quero agora homenagear os operários de todo o mundo»

Eu só pensava em São João da Cruz

enquanto ouvia pela enésima vez:

«a moda substituiu o luxo

pela elegância»

João da Cruz fala de coroas,

resplendores, casulas

véus de seda, relicários de ouro e

diamantes

para lá do jogo das nossas defesas

qualquer coisa interior

a intensa solidão das tempestades

os campos alagados,

os sítios sem resposta

o teu silêncio, ó Deus, altera por completo os espaços


José Tolentino Mendonça

sábado, 11 de dezembro de 2010

LIU XIAOBO, PRÉMIO NOBEL DA PAZ, 2010

Liu

(…)

Lugar distante

esse lugar sem sol

onde exilei a minha vida

para fugir à era de Cristo

Não consigo fitar a ofuscante visão na cruz

De um fio de fumo a um pequeno monte de cinzas

bebi até ao fim a bebida dos mártires, sinto a primavera

prestes a romper no rendilhado brilho de inúmeras flores. (…)



Liu Xiaobo (excerto do poema escrito na prisão «Experimentando a Morte»)

Detido pelo regime chinês, o oposicionista Liu Xiaobo não pôde receber o Prémio Nobel da Paz, em Oslo. (in jornal Público, 11/12/2010)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

TEMPO


Orloj, Praga
Relógio Astronómico




Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.


Luís de Camões