sexta-feira, 19 de novembro de 2010

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

DIA DA FILOSOFIA/LANÇAMENTO DO LIVRO «RETALHOS DO MUNDO»

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Dia internacional da Filosofia comemorado na Biblioteca com a apresentação do livro de poesia do professor Luís Martins, Retalhos do Mundo.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

LIXO

Chamem-lhe lixo. Eu chamo-lhe vida, chamo-lhe inspiração, chamo-lhe sentimentos, chamo-lhe experiências, chamo-lhe o meu tudo. Pois claro. Sou um caixote do lixo. Uau, surpreendidos? Era preciso ter um nível de ignorância relativamente elevado para não o concluir. Podem passar por mim sem notar, posso ser um mero adereço numa sala de aula, mas existo. Eu E-X-I-S-T-O. Se me criaram é porque precisam de mim, se me criaram é porque faço falta. Por isso não me desprezem e metam o lixo dentro de mim.

Odeio ecopontos, odeio coisas de grande volume e odeio que me usem como suporte para segurar a porta por causa das correntes de ar. Odeio professores que tropeçam em mim, odeio auxiliares que levam o meu lixo, odeio alunos que tentam acertar com o lixo dentro de mim e que são incrivelmente certeiros (mais uma vez é preciso ter uma grande ignorância para não dar conta da tamanha IRONIA que expresso). Odeio sacos de plástico grandes demais, odeio sacos de plástico pequenos demais. Odeio chão que não é envernizado, odeio pastilhas elásticas, odeio que digam que cheiro mal, odeio pessoas de nariz empinado.

Adoro lixo.

Quis separar aquelas duas palavras luminosas num parágrafo. Adoro lixo porque é a minha vida. Tudo o que sei, tudo o que experienciei, tudo com que sonhei, tudo o que senti, tudo o que vivi se baseia no lixo. Quem define o lixo como: “s.m. o que é varrido para limpar uma casa, etc.; imundice; sujidade; (figurado) coisas inúteis.” É um autêntico Dicionário Básico da Língua Portuguesa da Porto Editora que se resume a páginas de definições estúpidas, não vivenciadas, e que no fim da sua vida se vai tornar num “s.m. o que é varrido para limpar uma casa, etc.; imundice; sujidade; (figurado) coisas inúteis.”. E que durante a sua vida não passa de um enorme “adj. e s. 2 gén. que ou pessoa que ignora; SEM INSTRUÇÃO.”. Resumidamente, ignorante. O lixo é o resultado do que vocês, humanos egocêntricos e ignorantes, vivem. O lixo é o que sobra da vossa dignidade. O lixo completa-me e constitui-me, tal como os vossos órgãos, as vossas experiências, as vossas atitudes, a vossa personalidade, a vossa ignorância vos completa e constitui. Gostavam que os caixotes do lixo corressem atrás de vocês, feitos psicopatas, a roubar-vos os órgãos, a viver as experiências por vocês e a roubar-vos a personalidade? (talvez valesse a pena roubar-vos um bocado da ignorância…) Não gostavam pois não? Então não façam o mesmo, está bem?! Mas não percebo uma coisa. Se para vocês, ignorantes, e para o Dicionário Básico da Língua Portuguesa da Porto Editora, o lixo não passa de um desperdício, então porque é que insistem em mantê-lo no vosso mundo e não o deitam para dentro de um caixote do lixo sedento para ele deixar de vos incomodar?

Sabem o que acho que são? Vão ver ao dicionário.

Maria Pathé – Nº 20 – 10º B


HETERÓNIMOS



O meu heterónimo

Heterónimo, dizes-me. É tão simples como isso, um Heterónimo. Levantas a voz, como se o sonho te pertencesse. Ele não te pertence, é meu. Fui eu que te sonhei, fui eu que te imaginei e fui eu que te dei vida, neste mundo imaginário criado pelo meu pensamento cansado. Imaginação, não passas disso. Sentir? Não acredito que o consigas fazer. Pensar? Tão pouco.

Os teus olhos são vazios. Não têm esperança nem sonhos. Dizes sonhar dessa maneira? Não sejas patético. Apenas sonha quem existe, quem pensa e sente. Eu sonho porque te criei, e criei-te porque sonho. Não és mais que a minha vontade de comover com a razão e de pensar com o coração. És o impossível em mim, e por isso sei que não existes para além desta corrente de pensamentos adormecidos a que chamamos sonhos.

Dizes amar mais do que alguma vez amei. Dizes sentir muito mais do que alguma vez senti. Abalas-me o coração com essa certeza viva e sentida. Mas, nem por isso, os teus olhos começam a brilhar. És vazio. Sentes-te oco por dentro, e tu sabe-lo. Desejas viver e aprender com o mundo, desejas amar alguém verdadeiro, que sinta com o coração, que te veja com olhos de ver e que te sinta com mãos de sentir.

És um invasor do meu imaginário. Um simples fugitivo, que passa de sonho em sonho à procura de abrigo, à procura, nem que seja, de uma razão para viver. Mas eu não sou um poeta de pluralidades. Nem poeta sou, tão pouco. A minha alma só me é dedicada a mim, e os pensamentos renegam outra existência que não a minha. As portas estão fechadas. Por mais que levantes a voz, por mais que sintas e por mais que justifiques a tua existência, nunca passarás de um invasor da minha alma.

Se o mundo se modelasse aos nossos gostos, seria eu a deambular de alma em alma à procura de um lar, de alguém que me aceitasse como uma extensão do seu ser – seria essa a tua vontade. Se as vontades de cada um fossem as modas mundanas, terias um corpo e uma mente. Irias recusar-me tal e qual como eu te recusei. Continuarias a amar e a sentir mais do que eu, porque, afinal, és o que eu julgo ser impossível em mim.

Eu amo, eu sinto. O meu coração sofre com a amargura. Eu sofro com a amargura. Um homem não é nada se não amar, se não tiver uma mulher a quem se entregar. Eu sou assim, um homem normal. Tenho ambições que vão muito mais além do racional. Sonho, mas através de mim mesmo, sem me soltar da minha pessoa para que alguém venha preencher o vazio que há na minha mente. E sei, por certeza minha, que não passas de um sonho, de um pensamento que se quer ver realizado mas que não sabe como fazê-lo.

Irei acordar, e não estarás lá.

E assim foi. Heterónimo? Não o tenho. Sou apenas eu, sem mestre nem rebanho para comandar. A singularidade é a máxima ambição - esta alma tem segredos que só a minha vontade pode desvendar.

Olho o rio de fora. É forte, a corrente. Tanta água só pode desaguar nas lágrimas do mundo - mas o mar é tão vasto, tão grande e vazio. Vou saltar para a corrente. Queria companhia, mas sou só eu. Somente eu…

Diogo Luz Lourenço 12º ano

domingo, 14 de novembro de 2010

DIA INTERNACIONAL DA FILOSOFIA (18/11)


PROGRAMA

Escola Secundária de S. Lourenço

Departamento das Ciências Sociais e Humanas

Área Disciplinar de Filosofia

17 de Novembro de 2010

Quarta-feira – 13:30 H

Almoço Convívio

Restaurante O Cavalinho

Rua D. Augusto Eduardo Nunes, Nº 19

Dia Internacional Da Filosofia

18 de Novembro de 2010

Quinta-feira

I

Património A Respeitar

(Materiais Das Salas De Aulas)

“Aquilo que fizermos hoje pela escola será o que as

próximas gerações de Alunos vão / receber e,

certamente, seria injusto que o nosso legado se

apresentasse degradado e / menos funcional.”

in Eduardo Luciano Crespo Relvas,

Comunicado,

Portalegre, 29 de Setembro de 2010,

O Director.

Filosofia Da Identidade Dos Objectos

· Textos De Alunas/os de Filosofia 10º Ano

· Artigos Publicados no Jornal Fonte Nova

· Afixação de Cartazes Alusivos à Efeméride

· Actividades dinamizadas na página da escola

DIA INTERNACIONAL DA FILOSOFIA

II

“Vimos, pois, apelar a toda a Comunidade Escolar para a necessidade de preservarmos instalações, equipamentos e materiais, de modo a que deles possamos desfrutar nas melhores condições e durante mais tempo.”

Ibidem

Centro De Recursos

(Biblioteca – 16:15 H)

Lançamento do Livro

Retalhos Do Mundo

(Professor Luís Martins)

1 - A Filosofia No Ensino Secundário

(Breve Abordagem)

- O Actual Papel Da Filosofia

2 – Apresentação De Trabalhos De Alunas/os

- Ilustração De Poemas

3 – Testemunho De Cultura

Livraria.Cafetaria

Pontofinal.parágrafo

“Estar no mundo

Perceber seus sentidos

Tê-lo no olhar

Primar pela devoção

Tirar de si o entender

Ter outro estar

Poder sapiência beber.”

in Luís Martins,

Retalhos Do Mundo,

Colecção World Art Friends X, 2010, p. 7

NOVIDADES

 

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Mais uns títulos à tua espera na biblioteca da Escola!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

SUGESTÃO DE LEITURA

O Diário de um Mago, de Paulo Coelho

Pergaminho Editora

Sinopse

A história de uma verdadeira viagem de iniciação que é também a narrativa da descoberta de si mesmo: O Diário de um Mago foi o primeiro livro de Paulo Coelho, sendo ao mesmo tempo o relato e o acontecimento que deu origem à grande transformação na sua vida.

A cada passo do Caminho, a cada etapa desta viagem, o peregrino vai-se libertando de expectativas e ilusões, aproximando-se da natureza dos segredos que o Mestre lhe vai revelando. Descobre então que a verdadeira mestria consiste em aprender o seu próprio aminho e que a sabedoria autêntica consiste em percorrê-lo. Com um estilo simples, fluido e cativante, Paulo Coelho partilha com os leitores a profundidade da busca interior que foi a sua experiência do Caminho de Santiago.

Crítica

Em O Diário de um Mago, Paulo parte em busca de uma espada mas descobre que, afinal, aquilo que realmente procura transcende o objectivo que tinha em mente.

Com o auxílio de Petrus, o seu guia, Paulo percorre os trilhos da peregrinação que o guiarão até Santiago de Compostela. No decorrer desses trilhos, é instigado a cumprir vários desafios espirituais que lhe darão as alvíssaras.

Com o decorrer da primeira visita do Sumo Pontífice à Galiza, O Diário de um Mago dá ao leitor a visão de um peregrino que percorre o estranho caminho de Santiago, desde o sul de França até Santiago de Compostela.

Críticas de imprensa

“[Paulo Coelho] cria, com uma eficácia notável, uma atmosfera de romance de iniciação que, numa via esotérica, levanta questões fundamentais.”

Diário de Notícias, Portugal, 2001

“A força de sedução da sua prosa permite-lhe atravessar, melhor do que qualquer religião, mesmo as fronteiras mais ferozmente guardadas e tocar o espírito dos povos mais longínquos.”

Le Monde, França – 1998

“Nesta época conturbada em que vivemos, quando o Ter faz tudo para dominar o Ser, com melhor companhia (Paulo Coelho) não o poderíamos deixar.”

Victor Mendanha, jornal Correio da Manhã, Portugal – Maio, 1991

“A simplicidade do texto de Paulo Coelho não pode ser confundida com superficialidade.”

El Mundo, Espanha


Carlos Raimundo, 12º E

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

CASTELO DE VIDE

 

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COLEGIAL

COLEGIAL

Em cima da minha mesa,
Da minha mesa de estudo,
Mesa da minha tristeza
Em que, de noite e de dia,
Rasgo as folhas, leio tudo
Destes livros em que estudo,
E me estudo
(Eu já me estudo…)
E me estudo,
A mim,
Também,
Em cima da minha mesa,
Tenho o teu retrato, Mãe!

À cabeceira do leito,
Dentro dum lindo caixilho,
Tenho uma Nossa Senhora
Que venero a toda a hora…
Ai minha Nossa Senhora
Que se parece contigo,
E que tem, ao peito,
Um filho
(O que ainda é mais estranho)
Que se parece comigo,
Num retratinho,
Que tenho,
De menino pequenino…!

No fundo da minha mala,
Mesmo lá no fundo, a um canto,
Não lhes vá tocar alguém,
(quem as lesse, o que entendia?
Só riria
Do que nos comove a nós…)
Já tenho três maços, Mãe,
Das cartas que tu me escreves
Desde que saí de casa…
Três maços – e nada leves! –
Atados com um retrós…

Se não fora eu ter-te assim,
A toda a hora,
Sempre à beirinha de mim,
(Sei agora
Que isto de a gente ser grande
Não é como se nos pinta…)
Mãe!, já teria morrido,
Ou já teria fugido,
Ou já teria bebido
Algum tinteiro de tinta!

José Régio

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA

GENTE

Esta Gente

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo

Sophia de Mello Breyner Andresen, Geografia


quarta-feira, 3 de novembro de 2010