quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

DERIVA

Vi as águas os cabos vi as ilhas
E o longo baloiçar dos coqueirais
Vi lagunas azuis como safiras
Rápidas aves furtivos animais
Vi prodígios espantos maravilhas
Vi homens nus bailando nos areais
E ouvi o fundo som das suas falas
Que já nenhum de nós entendeu mais
Vi ferros e vi setas e vi lanças
Oiro também à flor das ondas finas
E o diverso fulgor de outros metais
Vi pérolas e conchas e corais
Desertos fontes trémulas campinas
Vi o frescor das coisas naturais
Só do Preste João não vi sinais

As ordens que levava não cumpri
E assim contando tudo quanto vi
Não sei se tudo errei ou descobri


Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

FELIZ NATAL

 

DSC02107

Natal

 

esperamos todos

o dealbar de um rosto

a aparição de outra coisa

entre o chão de limos e o rumor dos freixos

 

esperamos

às portas fechadas do mar

a onda favorável que nos leve ao outro lado

o sopro redentor

o expansivo meio em que a alegria nasce

(…)

 

José Augusto Mourão, O Nome e a Forma

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Portalegre ao anoitecer

 

07122011195

António Aleixo

 

Para não fazeres ofensas

e teres dias felizes,

não digas tudo o que pensas,

mas pensa tudo o que dizes.

 

Mentiu com habilidade,

fez quantas mentiras quis;

agora fala verdade

ninguém crê no que ele diz.

 

Não sou esperto nem bruto,

nem bem nem mal educado:

sou simplesmente o produto

do meio em que fui criado.

 

Vemos gente bem vestida,

no aspecto desassombrada;

são tudo ilusões da vida,

tudo é miséria dourada.

 

Sei que pareço um ladrão...

mas há muitos que eu conheço

que, não parecendo o que são,

são aquilo que eu pareço.

 

 

António Aleixo

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

LUZ

A Luz que Vem das Pedras

A luz que vem das pedras, do íntimo da pedra,
tu a colhes, mulher, a distribuis
tão generosa e à janela do mundo.
O sal do mar percorre a tua língua;
não são de mais em ti as coisas mais.
Melhor que tudo, o voo dos insectos,
o ritmo nocturno do girar dos bichos,
a chave do momento em que começa o canto
da ave ou da cigarra
— a mão que tal comanda no mesmo gesto fere
a corda do que em ti faz acordar
os olhos densos de cada dia um só.
Quem está salvando nesta respiração
boca a boca real com o universo?


Pedro Tamen, in Agora, Estar

domingo, 4 de dezembro de 2011

Fado, Património Imaterial

 

Fado Português

O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.


Ai, que lindeza tamanha,
meu chão , meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.


Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.

Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.


Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro veleiro
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.


José Régio, Poemas de Deus e do Diabo

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Ignoto Deo

 

DSC02069

(D. D. D.)

Creio em ti, Deus; a fé viva

De minha alma a ti se eleva.

És: - o que és não sei. Deriva

Meu ser do teu: luz... e treva,

Em que - indistintas! - se envolve

Este espírito agitado,

De ti vêm, a ti devolve.

O Nada, a que foi roubado

Pelo sopro criador

Tudo o mais, o há-de tragar.

Só vive do eterno ardor

O que está sempre a aspirar

Ao infinito donde veio.

Beleza és tu, luz és tu,

Verdade és tu só. Não creio

Senão em ti; o olho nu

Do homem não vê na terra

Mais que a dúvida, a incerteza,

A forma que engana e erra.

Essência! a real beleza,

O puro amor - o prazer

Que não fatiga e não gasta...

Só por ti os pode ver

O que, inspirado, se afasta,

Ignoto Deo, das ronceiras,

Vulgares turbas: despidos

Das coisas vãs e grosseiras

Sua alma, razão, sentidos,

A ti se dão, em ti vida,

E por ti vida têm. Eu, consagrado

A teu altar, me prostro e a combatida

Existência aqui ponho, aqui votado

Fica este livro - confissão sincera

Da alma que a ti voou e em ti só spera.

 

Almeida Garrett, Folhas Caídas.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

o dia do outro lado

 

L0001

 

Livro comemorativo dos 30 anos da CERCI PORTALEGRE

Autoria de Carlos Garcia de Castro e Raul Ladeira

Edições Colibri, 2011

 

 

«Ora aqui estamos nesta casa nobre,

onde reside a nossa condição,

sermos criança ainda em corpo vindo

do tempo convocado para crescermos

na inocência dum destino humano».

Carlos Garcia de Castro

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

PRAIA

 

Na luz oscilam os múltiplos navios
Caminho ao longo dos oceanos frios

As ondas desenrolam os seus braços
E brancas tombam de bruços

A praia é lis e longa sob o vento
Saturada de espaços e maresia

E para trás fica o murmúrio
Das ondas enroladas como búzios.



Sophia de Mello Breyner

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Adeus

 

Às vezes é nos silêncios mais medonhos,

Que encontro na luz crua do olhar,

A imensidão perdida dos meus sonhos,

Nos contornos nus e rudes do lugar.

E um grito de infinito em vulcão,

Rebenta em mim como lava de luar,

O verso em flor na minha mão,

Até tocar-me a alma a soluçar.

Que linda a Vida! Adeus, Adeus…

Deixo-vos estes versos que são meus,

E louvo a Deus na eternidade.

Kyrie Eleison! Toquem os céus,

Meus versos brandos como véus,

E doces como lágrimas de saudade.

Raul Cóias Dias

 

PS- Homenagem ao colega Cóias, que nos deixou há dias.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Concurso PORDATA

folheto_pordata_rbe_fr

folheto_pordata_rbe_vs

PORDATA.PT

DIA DA FILOSOFIA, 17 DE NOVEMBRO

Valor do Tempo

 

Procede deste modo, caro Lucílio: reclama o direito de dispores de ti, concentra e aproveita todo o tempo que até agora te era roubado, te era subtraído, que te fugia das mãos. Convence-te de que as coisas são tal como as descrevo: uma parte do tempo é-nos tomada, outra parte vai-se sem darmos por isso, outra deixamo-la escapar. Mas o pior de tudo é o tempo desperdiçado por negligência. Se bem reparares, durante grande parte da vida agimos mal, durante a maior parte não agimos nada, durante toda a vida agimos inutilmente.

Séneca, Cartas a Lucílio, Carta I.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Festival de Balonismo, Alentejo

 

Balonismo

1409-baloes2011

08 - Novembro (Terça-feira)

07h30 - 10h00 - 3º Voo - Fronteira

15h30 - 17h00 - 4º Voo - Fronteira

09 - Novembro (Quarta-Feira)

07h30-10h00 - 5º Voo - Alter do Chão

15h30-17h00 - 6º Voo - Alter do Chão

10 - Novembro (Quinta-Feira)

07h30 - 10h00 - 7º Voo - Fronteira

15h30 - 17h00 - 8º Voo - Fronteira

11 - Novembro (Sexta-Feira)

07h30 - 10h00 - 9º Voo - Alter do chão

15h30 - 17h00 - 10º Voo - Alter do chão

12 - Novembro (Sábado)

07h30 - 10h00 - 11º Voo - Fronteira

15h30 - 17h00 - 12º Voo - Fronteira

13 - Novembro (Domingo)

07h30 -10h00 - 13º Voo - Cabeço de Vide

 

http://www.cm-alter-chao.pt/

sábado, 5 de novembro de 2011

missão

 

Sol2

para dominares a terra

te dei as mãos

e sementes de justiça

semeei no coração do mundo

(…)

para ergueres sobre a guerra

o teu corpo

expatriado e exangue

te enviei

soldado de todas as fronteiras

 

para seres junto dos povos

a lucerna

o gume

a quase pátria

te dei o meu Espírito

 

sempre caminhei adiante de ti

como promessa

e sempre como a um filho

te enchi os olhos de futuro

 

para dominares a terra

te dei as mãos

e sementes de justiça

semeei no coração do mundo

 

 

José Augusto Mourão, O Nome e a Forma

domingo, 30 de outubro de 2011

Era uma tarde de outono

 

Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas
Sobre o jardim calado, e as águas miro, absorto.
Outono... Rodopiando, as folhas amarelas
Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto...
Por que, belo navio, ao clarão das estrelas,
Visitaste este mar inabitado e morto,
Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas,
Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto?
A água cantou. Rodeava, aos beijos, os teus flancos
A espuma, desmanchada em riso e flocos brancos...
Mas chegaste com a noite, e fugiste com o sol!
E eu olho o céu deserto, e vejo o oceano triste,
E contemplo o lugar por onde te sumiste,
Banhado no clarão nascente do arrebol...


Olavo Bilac, in Poesias

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

DIA INTERNACIONAL DAS BIBLIOTECAS ESCOLARES

 

logo-iasl-mibe_2011

 

Dia 24 de outubro, 2ª feira, aparece na biblioteca da escola.

Às 10h, atuação da Hallituna.

Às 11h, visitas guiadas à tua biblioteca.

Não faltes!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

terça-feira, 11 de outubro de 2011

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

VISITA DE ESTUDO AO MUSEU DA TAPEÇARIA GUY FINO

 

 

DSC09678

A visita de estudo do 10ºG  ao Museu da Tapeçaria Guy Fino permitiu conhecer a esta forma de arte.

As tapeçarias de Portalegre, conhecidas no mundo inteiro, reproduzem, de forma sublime, obras de arte de grandes mestres da pintura. Algumas obras de Almada Negreiros, Vieira da Silva, Cargaleiro, Charrua, Rogério Guimarães, Malangatana e muitos, muitos outros são divulgadas pela Manufactura das Tapeçarias de Portalegre, criada em 1948, por Guy Fino.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

BERNARDO SOARES

 

BS

«Meditei hoje, num intervalo de sentir, na forma de prosa de que uso. Em verdade, como escrevo? Tive, como muitos têm tido, a vontade pervertida de querer ter um sistema e uma norma. É certo que escrevi antes da norma e do sistema; nisso, porém, não sou diferente dos outros.»

Bernardo Soares, Livro do Desassossego, Edição de Richard Zenith, Assírio & Alvim, 2003.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

ALMOSSASSA 2011- FESTIVAL ISLÂMICO

cartaz_almossassa

«De 1 a 5 de Outubro, a parte alta da vila transforma-se numa deslumbrante máquina do tempo que nos transporta directamente para o século IX, para os tempos da sua fundação, homenageando o seu rebelde fundador Ibn Maruan, figura ímpar e visionária que mesmo a tantos séculos de distância consegue unir o que as fronteiras e história separaram.

O “Mercado das 3 Culturas”, palco principal de toda esta actividade, reconstitui a ambiência das vendas dessa época e deslumbra-nos como um espaço aberto à imaginação e à história. Para além de estar repleto de fabulosas recriações e animações que interagem com os visitantes.

O público feminino certamente se deixará encantar pelo stand de chás e ervas medicinais, a enorme variedade de brincos, pulseiras e colares em prata; pelas pedras semi-preciosas, pelos trabalhos em osso, madeira e demais adereços; pelas jarras, lâmpadas, flores secas, velas, espelhos, vidros, incensos e outros elementos de decoração; pelos sapatos, malas, túnicas, véus, cintos para dança do ventre, peles e tecidos coloridos; pelos sabonetes e perfumes, pelas tatuagens temporárias, pela leitura da sina nas mãos, pelas louças e tapetes orientais, pelo artesanato Egípcio, de Marrocos, dos Himalaias e da Tunísia.

Os homens adorarão ver os artesãos que trabalham ao vivo. As carteiras, cintos e sapatos em pele com design exclusivo e fabricados à mão, as antiguidades e as réplicas de armas serão outros pontos de interesse. A oportunidade de tomar uma bebida com os amigos numa envolvente de encantar e com um cenário natural único constituirá outro forte aliciante.

As crianças vão adorar os diferentes e coloridos brinquedos de madeira feitos à mão, a exposição permanente de aves, os passeios de burro e a quinta com animais exóticos e do campo. Os fatinhos de dançarina do ventre e os lenços árabes para a cabeça são sempre dos produtos mais procurados.

Todos juntos, em família, vão visitar a “Haima“ para tomar o verdadeiro chá árabe e por ali provarão gostos e sabores de outras paragens como os kebab. Destaque também para os crepes e as tâmaras, o fabrico de fogaças e pão, e a já famosa tenda dos cristãos locais com o suculento porco assado no espeto.

No Al Mossassa em Marvão terá perto de uma centena de pontos de venda seleccionados a pensar em si, para que viva a história e a cultura como nunca antes.

Esta é uma Festa para toda a família e uma oportunidade de visitar Marvão, aproveitar o bom ambiente, descontrair e principalmente divertir-se.»

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

PARTIDA

 

Já a vista, pouco e pouco, se desterra

Daqueles pátrios montes, que ficavam;

Ficava o caro Tejo e a fresca serra

De Sintra, e nela os olhos se alongavam.

Ficava-nos também na amada terra

O coração, que as mágoas lá deixavam.

E já depois que toda se escondeu,

Não vimos mais, enfim, que mar e céu.

 

 

Luís de Camões, OS LUSÍADAS, V, 3

OS LUSÍADAS

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A Noite é muito Escura

alberto_caeiro

É noite. A noite é muito escura. Numa casa a uma grande distância
Brilha a luz duma janela.
Vejo-a, e sinto-me humano dos pés à cabeça.
É curioso que toda a vida do indivíduo que ali mora, e que não sei quem é,
Atrai-me só por essa luz vista de longe.
Sem dúvida que a vida dele é real e ele tem cara, gestos, família e profissão.


Mas agora só me importa a luz da janela dele.
Apesar de a luz estar ali por ele a ter acendido,
A luz é a realidade imediata para mim.
Eu nunca passo para além da realidade imediata.
Para além da realidade imediata não há nada.
Se eu, de onde estou, só veio aquela luz,
Em relação à distância onde estou há só aquela luz.
O homem e a família dele são reais do lado de lá da janela.
Eu estou do lado de cá, a uma grande distância.
A luz apagou-se.
Que me importa que o homem continue a existir?


Alberto Caeiro, in Poemas Inconjuntos

quinta-feira, 28 de julho de 2011

UM OLHAR PARA O MUNDO

Um olhar para o mundo



Perdi o meu olhar

No meio do silêncio

Respiro outro ar

E não percebo o que sinto.


Lembro-me daquele momento,

Quando tinha...

O que será?

Será que era medo?

Talvez. Ninguém sabe.


Conheci pessoas novas

Umas boas, outras duras

Como a noite e o dia

Alguém falava, alguém sorria.


Abracei tantas ruas

Guardei muitas palavras,

Deixei de ser marcada

E já não me sinto o nada.


Mas vejo ainda os meus iguais,

A forma como usam as palavras

Tentando esconder

O que têm medo de perder

O desejo de pertencer,

O desejo de abraçar,

O desejo de amar.


Acções imprevisíveis

Que dominam aquele ser

Acções que são incríveis

Não gastando o seu poder.


Feliz, por estar aqui,

Feliz, por ter-te a ti,

Feliz, por saber o que é falar

De coisas sem pensar.


As casas, as flores,

As músicas e os sabores

Tudo me ajudou sentir

Ultrapassar e agir.


Esta árvore tem frutos

E folhas tão diferentes,

Há muitas ainda e muitos

Que nem sabem quem são eles.


A vida é um jogo

E nós, os jogadores nela

Não existe ainda aquele fogo

Capaz de apagar uma geração como aquela.


Senti a amizade

A entrar no coração

E lendo uma curiosidade

Descobri no final quem são.


Uma parte do meu “Eu”

Gosta de olhar para o céu,

Outra parte está contente

Por não ouvir “ele vai esquecer-te”!


Zinaida Mogildea, 11º A

Português Língua não Materna

quarta-feira, 27 de julho de 2011

MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO



Dispersão


Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.

Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...

Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem. (...)

Mário de Sá-Carneiro

segunda-feira, 4 de julho de 2011

REVISTAS DE BORDO

 

TAP

Nas revistas de bordo sucede quase sempre o mesmo: passamos os olhos pela página, em busca de uma simples distracção, de modo a que nos desviemos do confronto com a janela, afastados da heresia que é contemplar o céu a partir dos céus. Por outro lado, a revista de bordo é uma hospedeira em página impressa, um porteiro de nações, um massagista de almas atingidas por desfasamento de fusos horários. Estas eram as balizas, os estranhos limites às palavras voadoras.

Mia Couto, Pensageiro Frequente

Editorial Caminho

terça-feira, 28 de junho de 2011

poema

«O poema é uma abstracção, uma escrita que espera, uma lei que só numa boca humana vive.»

Paul Valéry