segunda-feira, 19 de julho de 2010

CORREDORES

 

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C6

MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO

 

SÁ-CARNEIRO 


O Lord

Lord que eu fui de Escócias doutra vida
Hoje arrasta por esta a sua decadência,
Sem brilho e equipagens.
Milord reduzido a viver de imagens,
Pára às montras de jóias de opulência
Num desejo brumoso --- em dúvida iludida...
(--- Por isso a minha raiva mal contida,
--- Por isso a minha eterna impaciência.)

Olha as Praças, rodeia-as...
Quem sabe se ele outrora
Teve Praças, como esta, e palácios e colunas ---
Longas terras, quintas cheias,
Iates pelo mar fora,
Montanhas e lagos, florestas e dunas...

(--- Por isso a sensação em mim fincada há tanto
Dum grande património algures haver perdido;
Por isso o meu desejo astral de luxo desmedido ---
E a Cor na minha Obra o que ficou do encanto...)

Mário de Sá-Carneiro

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Exposição - A arte ponto por ponto. Tapeçarias de Portalegre, no Centro Cultural de Cascais

 

ExposioArtePontoaPont

Costa Pinheiro, Mar Tenebroso

Tapeçaria de Portalegre (200x366 cm)

Em colaboração com a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, criada em 1946 por Guy Fino e Manuel Celestino Peixeiro, a Fundação D. Luís I expõe no Centro Cultural de Cascais um conjunto particularmente significativo de tapeçarias criadas a partir de trabalhos de alguns dos mais importantes artistas portugueses e estrangeiros contemporâneos, possibilitando assim a fruição de opções estéticas muito diversificadas, entre as quais se contam as de Le Corbusier, Carlos Botelho, Menez, Nadir Afonso, Costa Pinheiro, Cruzeiro Seixas, Júlio Resende, Manuel Cargaleiro, Eduardo Nery, Graça Morais, Charrua, Rogério Ribeiro, Victor Pomar e Figueiredo Sobral, por exemplo.

in http://www.cm-cascais.pt/Cascais/Agenda/arte_ponto_ponto.htm


Inauguração: 16 de Julho às 21h30.

Até 12 de Setembro (Terça a Domingo, das 10 às 18 horas)

Centro Cultural de Cascais (Av. Rei Humberto II de Itália, Cascais)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

CAEIRO

caeiro

O luar quando bate na relva…

Não sei que cousas me lembra…

Lembra-me a voz da criada velha

Contando-me contos de fadas

E de como Nossa Senhora vestida de mendiga

Andava à noite nas estradas

Socorrendo as crianças maltratadas…


Se eu já não posso crer que isso é verdade,

Para que bate o luar na relva?


Aberto Caeiro, Poesia

terça-feira, 6 de julho de 2010

MATILDE ROSA ARAÚJO (1921-2010)

CLMatildeRosaAraujo

Matilde Rosa Araújo

Escrevo à mão... gosto de fazer letra. Gosto de desenhar a letra.
A letra tem uma beleza como a palavra tem uma música.
Um dia na escola da Calçada do Combro fiz uma sessão na Biblioteca. Brincávamos com as palavras. Eu perguntava quais eram as palavras mais bonitas. E uma aluna, magrinha, com umas olheiras até aqui, voltou-se para mim e disse:
"A palavra mais linda é "vosselência""!

(Entrevista - a Matide Rosa Araújo )

in http://aeiou.expresso.pt/matilde-rosa-araujo=f592381

domingo, 4 de julho de 2010

FIAMA

fiama

Amor é o olhar total, que nunca pode

ser cantado nos poemas ou na música,

porque é tão-só próprio e bastante,

em si mesmo absoluto táctil,

que me cega, como a chuva cai

na minha cara, de faces nuas,

oferecidas sempre apenas à água.



Fiama Hasse Pais Brandão, Obra Breve.