domingo, 28 de fevereiro de 2010



Toquei num flanco súbito.
A mão que dolorosamente extraíra
rosas de mármore
dos sítios difíceis. Essa mão agora
nos trabalhos da alma: o flanco acordado, o abismo
da palavra. Resplandecia.
Levantava a pálpebra de jóia instantânea.
Das brancas ramas desentranha a corola
compacta, intrínseca, propagada
na árvore. Flanco e mão. E o nome que os ilumina
arboreamente.

Herberto Helder, Ou o Poema Contínuo

sábado, 27 de fevereiro de 2010

À REDESCOBERTA DO ESTADO DE DIREITO (Texto do ionline.pt)

A tradição medieval de autonomia da lei parece constituir um factor poderoso para explicar o ulterior sucesso da democracia moderna na Europa

Neste artigo gostaria de propor um quadro de análise da questão do estado de direito [rule of law] que possa servir de base a um programa de investigação nos próximos 20 anos da 'Journal of Democracy'." Com estas palavras, Francis Fukuyama inicia o seu artigo na edição comemorativa dos primeiros 20 anos da "Journal of Democracy" (Janeiro de 2010, volume 21, n.o 1). O artigo intitula-se "Transitions to the rule of law" e apresenta realmente novas ideias desafiadoras para pensar a democracia e as suas origens.

DEMOCRACIA LIBERAL O ponto de partida de Fukuyama consiste em recordar a dupla dimensão da democracia constitucional (ou liberal), a causa que levou à fundação da "Journal of Democracy", em Janeiro de 1990. Essa dupla dimensão inclui, por um lado, instituições democráticas que garantem que os governos prestam contas à escolha popular, e, por outro, instituições que garantem um estado de direito [rule of law].

A verdade, observa em seguida Fukuyama, é que os últimos 20 anos assistiram ao aparecimento de uma abundante literatura sobre as transições para a democracia - sobretudo na sequência do famoso livro de Samuel Huntington, "A Terceira Vaga de Democratização no Mundo" (1990). No entanto, curiosamente, pouco ou nada foi escrito no âmbito da ciência política acerca das transições para o estado de direito.

ESTADO DE DIREITO Esta assimetria entre a literatura dedicada à transição democrática e a dedicada à transição para o estado de direito é particularmente intrigante porque toda a experiência histórica aponta para a precedência do estado de direito sobre a democracia. Não só o estado de direito precedeu a emergência da democracia, como também é observável que as democracias mais antigas e estáveis foram as que resultaram do gradual alargamento das garantias do estado de direito a todos os cidadãos.

Fukuyama define estado de direito, ou rule of law, como um conjunto de constrangimentos legais que limitam o poder dos governantes - quaisquer que eles sejam - e os compelem a governar de acordo com regras ou leis preexistentes. Por outras palavras, a ideia de estado de direito exprime a ideia de governo limitado pela lei, mesmo que esse governo tenha origem na vontade popular maioritária.

DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO O conceito de estado de direito é particularmente caro aos economistas. Uma vasta literatura económica tem sublinhado a indispensabilidade de limites legais à vontade política para o desenvolvimento económico.

Sem protecção legal dos direitos de propriedade e da liberdade dos contratos, os indivíduos não se sentirão seguros para poupar, investir e empreender. Sentir-se-ão à mercê do capricho arbitrário dos poderosos e optarão por outros caminhos para melhorar a sua condição: ou tentarão obter favores da corte dos poderosos, ou recorrerão a actividades paralelas.

RELIGIÃO Curiosamente, a origem da ideia de estado de direito é fundamentalmente religiosa. Decorre da ideia de que existe uma lei mais alta, dada por Deus, à qual os governantes devem submeter-se.

Fukuyama recorda que na tradição judaico-cristã, e até certo ponto também no islão, nenhum governante se considerava inteira ou absolutamente soberano. Acima dele encontrava-se Deus e a lei natural, que impunha ao governante a obediência a leis gerais de justiça.

EXCEPÇÃO CHINESA Um dos pontos curiosos sugeridos por Fukuyama é que a mais significativa excepção a este entendimento ocorreu na China e nas culturas da Ásia de Leste influenciadas pela cultura chinesa. Isto ter-se-á devido, segundo Fukuyama, ao facto de a China nunca ter desenvolvido uma religião transcendente, para além do culto dos antepassados.

"O culto dos antepassados não é uma boa fonte da lei - argumenta Fukuyama --, dado que ninguém é obrigado a prestar culto aos antepassados dos outros e por isso não se geram deveres comuns susceptíveis de aplicação a uma sociedade alargada."

IGREJA CATÓLICA Foi na Europa cristã medieval que o conceito de lei e de governo das leis emergiu de forma mais sofisticada, mesmo antes da emergência do estado moderno, recorda Fukuyama. Isso ficou a dever -se fundamentalmente ao papel da Igreja Católica e à sua resistência a ser submetida à vontade do imperador. Esta tensão teve um ponto decisivo em 1075, quando o Papa Gregório VII recusou ao imperador o poder de nomear os bispos da Igreja. Gregório VII restaurou a autonomia da Igreja, e com ela da lei canónica.

As universidades católicas medievais, lideradas pela Universidade de Bolonha, tornaram-se sofisticados centros de estudo e desenvolvimento de um corpo de leis, independentes da vontade do poder político. Uma importante expressão política desta autonomia da lei relativamente ao poder temporal foi dada pela Magna Carta inglesa de 1215: aí são estabelecidas as liberdades e prerrogativas dos súbditos, que constituem limites à vontade do poder político.

EUROPA-AMÉRICA Trata-se de um factor poderoso para explicar o ulterior sucesso da democracia moderna na Europa: tendo emergido numa tradição de forte constrangimento do poder político pela lei, uma tradição medieval, a democracia na Europa nasceu como democracia constitucional, isto é, como democracia limitada pela lei.

As ideias de separação e equilíbrio de poderes, bem como de direitos e garantias constitucionais, emergem da tradição legal medieval e são particularmente visíveis na chamada "gloriosa revolução inglesa" de 1688. A revolução americana de 1776 na verdade começa com a acusação ao rei e ao parlamento de Londres de estarem a infringir as leis ancestrais inglesas. A Constituição americana de 1787-8 é particularmente enfática na limitação e separação de poderes.

MODERNIDADE RELUTANTE Assim, parece fazer sentido dizer que o sucesso destas duas primeiras revoluções da época moderna fica a dever-se em grande parte ao facto de elas terem sido revoluções modernas relutantes - que não romperam com a tradição medieval do governo das leis.

FRANÇA E RÚSSIA Por contraste, a Revolução Francesa procurou romper com a tradição medieval do governo limitado pela lei. Inspirada nas teorias de Rousseau sobre a soberania popular ilimitada, tentou subverter os limites legais à vontade política. Está na origem das versões totalitárias da democracia que inspiraram a revolução soviética e de grande parte das experiências radicais republicanas na América Latina.

João Carlos Espada, publicado em 27 de Fevereiro de 2010, ionline.pt


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

CRUZEIRO SEIXAS - TAPEÇARIA E DESENHO





Cruzeiro Seixas - Tapeçaria e Desenho, exposição comissariada pelo Prof. Fernando António Baptista Pereira, no Museu da Tapeçaria de Portalegre - Guy Fino.

Serão exibidas nove tapeçarias sob cartão da autoria de Cruzeiro Seixas produzidas pela Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, editadas entre os anos de 1976 e 2009. Integram também a exposição desenhos de pequeno formato datados de 1945 a 2006 e alguns objectos criados pelo artista.

O catálogo da exposição compreende textos de: Fernando Mata Cáceres, Presidente da C. Municipal de Portalegre; António Sampaio da Nóvoa, Reitor da UL.; Fernando Baptista Pereira e Cristina Azevedo Tavares, Professores da FBAUL; Sarane Alexandrian, Ensaísta e Historiador de Arte; José Manuel dos Santos, Director Cultural da Fundação EDP; Vera Fino, Directora da Manufactura de Tapeçarias de Portalegre.


Até 23 de Maio

Participação na Conferência “Gestão da Inovação e Empreendedorismo”

No passado dia 9 de Fevereiro, os alunos dos cursos de Socioeconómicas e do curso Profissional de Técnico de Informática de Gestão da Escola Secundária de São Lourenço, sob orientação e coordenação dos Professores Adriano Capote e Mariano Costa Pinto, partiram rumo ao Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa com vista à participação na Conferência sobre “Gestão da Inovação e Empreendedorismo”.

Gestão da Inovação e Empreendedorismo

Empreendedorismo foi o principal tema abordado durante a Conferência. O seu conceito, as suas características, a sua relação com a inovação e a sua importância para o crescimento económico foram alguns dos conteúdos apresentados por um Professor da instituição.

A abordagem sucinta que foi transmitida permitiu-nos captar que a actividade empreendedora visa a criação e implementação de negócios e de soluções criativas e que, aquele que a executa, i.e., o empreendedor, é alguém com características excepcionais, como a cultura de risco, a aceitação do fracasso e a persistência.

O Empreendedorismo é, ainda, um elemento indispensável para a mudança estrutural das economias e que promove a modernização das empresas. Assim, a actividade empreendedora contribui para aumentar a produtividade e, consequentemente, exerce uma importante influência no crescimento económico.

Iniciação ao mundo universitário

Além da integração e aprofundamento de conhecimentos programáticos da disciplina de Economia, esta visita de estudo permitiu aos aspirantes a estudantes universitários contactar com o ambiente do contexto universitário. Através de uma breve promoção desenvolvida pela Associação de Estudantes do ISEG, os alunos puderam constatar o clima de companheirismo e entreajuda que existe naquela instituição.

Em suma, esta actividade não se concentrou somente no tema da Conferência, dando aos alunos a possibilidade de interagirem e de ficarem a conhecer o espírito académico que reina no mundo universitário.

Até que chegue o momento da decisão final, fica o sabor a pouco daquilo que nos espera no Ensino Superior.

Carlos Raimundo, ESSL

SEMANA DA LEITURA (1 a 5 de MARÇO)












DIREITOS DO LEITOR


Segundo Daniel Pennac (1993), existem 10 direitos fundamentais do leitor:


1- Direito de não ler

2- Direito a saltar páginas

3- Direito a não terminar um livro

4- Direito de reler

5- Direito a ler qualquer coisa

6- Direito ao bovarismo (deixar que a imaginação se solte)

7- Direito a ler em qualquer lugar

8- Direito a folhear

9- Direito a ler em voz alta

10- Direito a calarmo-nos.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

CONFERÊNCIA SOBRE JOSÉ RÉGIO




A Conferência "A Recepção da Obra de José Régio em França", proferida pelo Prof. Doutor Fernando Carmino Marques, realiza-se no dia 26 de Fevereiro, sexta-feira, às 18h, no Castelo de Portalegre.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

UM POEMA DE WALT WHITMAN



Viagem na verdade para a ideia primordial, ó alma,
Não só mares e terras, mas a tua límpida frescura,
A jovem maturidade do rebento e do botão,
Para os reinos das bíblias que germinam.

Oh, alma, irreprimíveis, eu contigo e tu comigo,
A circum-navegação do mundo começamos,
Do homem, da viagem de regresso da sua mente,
Para o paraíso original da razão,
De regresso, de regresso ao berço do saber, às intuições inocentes,
De novo com a bela criação.

Walt Whitman (1819-1892), Folhas de Erva

domingo, 21 de fevereiro de 2010

UM POETA EM PORTALEGRE

Texto publicado no JN, 14/02/2010

Texto de Manuel Poppe, alusivo à conferência sobre J. Régio, no CAEP.

O escritor esteve em Portalegre a convite da Escola Secundária de S. Lourenço, no dia 8/02/2010.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

CONHECIMENTO (CARTAZ DA RBE)


ZIW




A vastidão avança por aquilo de que falamos
evoca o que o tempo nos aconselha
com mensagens que parecem sem sentido:
o telefone toca apenas uma vez
faróis são deixados toda a tarde acesos
sucessivas falhas nos perturbam
pois não são falhas apenas

talvez a completa escuridão nunca tenha existido
talvez nos momentos decisivos
regresse por alguma passagem o desconhecido

um milhão de cintilantes lanternas de papel
sobre o rio
e a alma repete a pergunta eterna.



José Tolentino de Mendonça, A Estrada Branca

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A PRINCIPAL FONTE DA NOSSA IGNORÂNCIA


Quanto mais aprendemos sobre o mundo, quanto mais profundo o nosso conhecimento, mais específico, consistente e articulado será o nosso conhecimento do que ignoramos - o conhecimento da nossa ignorância. Essa, com efeito, é a principal fonte da nossa ignorância: o facto de que o nosso conhecimento só pode ser finito, mas a nossa ignorância deve necessariamente ser infinita. (...) Vale a pena lembrar que, embora haja uma vasta diferença entre nós no que diz respeito aos fragmentos que conhecemos, somos todos iguais no infinito da nossa ignorância.

Karl Popper, in As Origens do Conhecimento e da Ignorância

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

SOBRE A INDISCIPLINA


Aumento da violência nas escolas reflecte crise de autoridade familiar

Especialistas em educação, reunidos na cidade espanhola de Valência, defenderam hoje que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores. Os participantes no encontro 'Família e Escola: um espaço de convivência', dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas.

'As crianças não encontram em casa a figura de autoridade', que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater.

'As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa', sublinhou.

Para Savater, os pais continuam 'a não querer assumir qualquer autoridade', preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos 'seja alegre' e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para os professores.

No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador, 'são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os', acusa.

'O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar', sublinha.

Há professores que são 'vítimas nas mãos dos alunos'.

Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que 'ao pagar uma escola' deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação de muitos professores que estão 'psicologicamente esgotados' e que se transformam 'em autênticas vítimas nas mãos dos alunos'.

A liberdade, afirma, 'exige uma componente de disciplina' que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade.

'A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara', afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, 'uma oportunidade e um privilégio'.

'Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina', frisa Fernando Savater.

Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que 'têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos'.

'Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso leva-os à rebeldia', afirmou.

Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que 'mais vale dar uma palmada, no momento certo' do que permitir as situações que depois se criam.

Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

MAQUETA DA NOVA ESCOLA













COMENTÁRIO À OBRA DE MANUEL ALEGRE, PRAIA DE LÁGRIMAS

Nesta obra de Manuel Alegre, o autor descreve um dos momentos mais solenes e tristes da história recente do nosso país, a partida dos soldados Portugueses para as províncias ultramarinas. Esta partida insere-se numa época conturbada da nossa história, o Estado Novo.
Durante este período, por volta dos anos 60 até 1974, rebentou em Angola, Guiné e Moçambique, a guerra colonial, devendo-se a uma revolta da população local para suprimir a falta de liberdade.
Manuel Alegre, neste texto, compara este momento ao da partida das primeiras naus no séc. XV em busca dos novos mundos (época dos Descobrimentos). O autor compara essa angústia das mães, dos pais e das mulheres dos soldados que partem para a guerra, à aflição sentida séculos antes pelas mães, esposas, filhos e familiares na partida dos marinheiros Portugueses em busca do desconhecido, sem se saber se haveria regresso, devido aos perigos do oceano. Agora, estes soldados estão sujeitos aos mesmos perigos. O autor faz referência a Os Lusíadas neste excerto, uma vez que invoca as palavras sábias do “Velho do Restelo”, figura mítica de Os Lusíadas, que regressa para questionar os motivos destes soldados em investirem a sua juventude naquela guerra que, para alguns, traria a morte e desventura e não a glória, a fama como eles pensavam, chamavam-lhe coragem alguns, mas para o velho não passava de loucura. A figura do velho demonstra também que, por muito que o tempo passe, as palavras são as mesmas, os tempos estão sempre actualizados.
N’Os Lusíadas, o autor descreve a viagem dos Portugueses “por mares nunca de dantes navegados”, narra também as suas aventuras e pretende mitificar os Portugueses pela sua coragem, bravura e curiosidade ao enfrentarem perigos desconhecidos por eles. Manuel Alegre, com este texto, pretende não mitificar os Portugueses, mas sim criticar e descrever aquele momento triste da partida dos soldados Portugueses para o Ultramar, não para a glória, como os Portugueses de Vasco da Gama, mas sim para a desgraça, para a inglória daquela guerra, que oprimia um povo, retirando-lhe a liberdade e destruindo uma geração de Portugueses, “ ó glória de mandar, ó vã cobiça”.

José Andrade, 12
ºB

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010




MAR SONORO



MAR SONORO, MAR SEM FUNDO, MAR SEM FIM,

A TUA BELEZA AUMENTA QUANDO ESTAMOS SÓS

E TÃO FUNDO INTIMAMENTE A TUA VOZ

SEGUE O MAIS SECRETO BAILAR DO MEU SONHO,

QUE MOMENTOS HÁ EM QUE EU SUPONHO

SERES UM MILAGRE CRIADO SÓ PARA MIM.


Sophia de Mello Breyner Andresen, MAR

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

II SEMANAS DAS CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS

4 de Fevereiro de 2010-02-02, Quinta-feira

GEOLOGIA NO DISTRITO DE PORTALEGRE
LUÍS ROMÃO
12º Ano A, B, C e D - Geologia
13:10 – 15:20H
Sala 22
“O Sol, o vento e a água fornecem energia ao Homem.
Mas é do solo cultivado que o Homem obtém os alimentos,
e do subsolo extrai materiais que utiliza no dia-a-dia.
Utilizador das riquezas minerais,
o Homem deve ser um bom gestor,
pois a crescente exploração dos recursos naturais não renováveis
é limitada.
Conhecer as reservas actuais,
melhorar a sua exploração,
descobrir novos jazigos e saber como estes se formam
exige conhecimentos geológicos cada vez maiores.
- Que tipo de recursos pode o Homem encontrar e explorar na Terra?
e na região de Portalegre?”

ROMÃO, LUÍS, INTRODUÇÃO À SERRA DE S. MAMEDE,
Geologia no Distrito de Portalegre,
Semana II das C. S. H.,
Portalegre,
2010.

“A Serra de S. Mamede é o relevo mais importante a sul do Tejo; situa-se no Nordeste Alentejano, junto da fronteira, continuando-se pelo país vizinho. No entanto, as elevações mais importantes localizam-se em Portugal, sendo o ponto mais elevado, 1027m, no v. g. de São Mamede.
A massa montanhosa é formada, a norte, pelo granito de Castelo de Vide, que interrompe as estruturas hercínias e, a ocidente, pelos granitos tectonizados de Portalegre. Todavia, o núcleo mais importante da serra, que se estende para sueste, corresponde aos terrenos paleozóicos do sinclinório de Portalegre. É nele que se situam os acidentes morfológicos mais importantes, que estão claramente subordinados à estrutura geológica da região. Efectivamente, a serra é constituída por várias linhas de relevo que evidenciam os dobramentos hercínicos que atingiram de forma expressiva os sedimentos paleozóicos, sobretudo os do Ordovícico inferior e do Silúrico.
Os relevos correspondem às rochas duras intercaladas nos sedimentos destas idades. As barras quartzíticas do Arenigiano formam relevos em crista que, nalguns locais, segundo Nery Delgado, lembram “restos de grandes muralhas em ruínas”.
Aliás, quem percorra, por exemplo, as estradas que ligam, respectivamente, Esperança a Arronches e esta vila a Portalegre tem ocasião de observar estes aspectos.”
in GONÇALVES, FRANCISCO, Aspectos Geológicos da Serra de S. Mamede,
Clube de Biologia e Geologia Serra de S. Mamede,
Portalegre, 1986, p. 7


José Coelho
11º Ano – Turma H
Ciência em Portalegre
14:30 – 16:00H – (Sala 12 A)

CONSTRUÇÃO DE UMA PILHA GALVÂNICA

Consultar trabalho.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

CONFERÊNCIA SOBRE ARTE E CIÊNCIA -PROF. RAUL LADEIRA


II SEMANA DAS CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS

3 de Fevereiro de 2010-02-02, Quarta-feira

CIÊNCIA E EVOLUCIONISMO

ANTÓNIO CARREIRAS
12º Ano – Turmas de Geologia A, B, C e D - 13:25 – 15:15H - Sala22
4 de Fevereiro de 2010-02-02, Quinta-feira


CIÊNCIA E EVOLUCIONISMO
LUÍS ROMÃO
12º Ano A, B, C e D - Geologia
10:15 – 11:45H
Sala
“O Sol, o vento e a água fornecem energia ao Homem.
Mas é do solo cultivado que o Homem obtém os alimentos,
e do subsolo extrai materiais que utiliza no dia-a-dia.
Utilizador das riquezas minerais,
o Homem deve ser um bom gestor,
pois a crescente exploração dos recursos naturais não renováveis
é limitada.
Conhecer as reservas actuais,
melhorar a sua exploração,
descobrir novos jazigos e saber como estes se formam
exige conhecimentos geológicos cada vez maiores.
- Que tipo de recursos pode o Homem encontrar e explorar na Terra?
e na região de Portalegre?”


José Coelho
11º Ano – Turma H
Evolucionismo e Filosofia
Sala 22

DÉFICE...

Como cresceu o défice português?

O Ministério das Finanças anunciou, na semana passada, o fecho das contas públicas do ano de 2009 com a divulgação do número do défice orçamental: 9,3%. O julgamento deste número mágico é unânime – surpreendente – mas a sua origem pode ser melhor clarificada.

A instabilidade económica vivida nos últimos meses criou um ambiente de forte desconfiança nos mercados e na própria economia. Tal facto pode explicar, em parte, as alterações verificadas em algumas das principais rubricas orçamentais. Assim, existem múltiplos factores (uns mais previsíveis do que outros) que nos ajudam a decifrar a origem do actual défice português.

Quebra no consumo das famílias

Os sintomas de incerteza e de instabilidade económica sentidos por todo o mundo contagiaram a economia portuguesa. Este clima, associado ao aumento do desemprego, obrigou as famílias e as empresas a cortar nas despesas. Tal facto, aliado ao adiamento de decisões económicas que, por sua vez, encontra maior explicação no clima pessimista instaurado do que na comprovada deflação registada em Portugal, provocou o abrandamento do ritmo da actividade económica do país o que, na prática, significa uma quebra do consumo privado. Do ponto de vista das contas públicas, a quebra do consumo privado representa uma significativa redução das receitas tributárias, particularmente as que provêm do IVA.

Apoios às famílias e às empresas

Apesar do Estado poder assumir-se como centro de decisão económica – e fê-lo, como adiante iremos comprovar – deve fomentar, igualmente, a iniciativa privada no sentido de estimular os mercados. No decorrer desta crise, o Estado português criou parcerias com as empresas e os investidores privados através de soluções financeiras, nomeadamente, através da criação de linhas de crédito.

A crise económica traduz-se, também, no agravamento de flagelos sociais como o aumento do desemprego – uma consequência inevitável do encerramento de empresas. O Estado fica, assim, incumbido de desempenhar a sua função social fornecendo suportes de apoio às famílias afectadas por este flagelo. Estes suportes traduzem-se nos subsídios de desemprego, na criação de bolsas de emprego e de programas de formação profissional e na acção social.

Quer as ferramentas de incentivo à iniciativa privada quer os apoios fornecidos às famílias constituem agravantes da despesa pública corrente. Desta forma, o Estado português, perante o estado de emergência criado pelas transformações económicas da crise, criou mecanismos que auxiliassem as empresas e as famílias.

Aumento do investimento público

No decorrer de uma crise económica, o ambiente não é, tendencialmente, propício à iniciativa privada. A exacerbação deste facto é tanto maior quanto menor for o espírito de empreendedorismo e inovação dos nossos empresários e a sua cultura de risco. De facto, quando o ambiente económico não é propício à iniciativa privada, o Estado pode e deve desenvolver projectos de investimento público. No caso português, um dos actuais investimentos estatais que aspiram maior rendimento no futuro é a renovação dos estabelecimentos de ensino. O investimento público é um elemento constituinte na rubrica orçamental da despesa de capital.

Perante este quadro orçamental, resta-nos fazer as adições e as subtracções necessárias para chegarmos à conclusão que as receitas do Estado diminuíram e as suas despesas aumentaram.

Rigor orçamental

Apesar do intuito deste artigo não ir ao encontro de soluções para a descida do défice é importante ter em conta algumas considerações. É fundamental a descida das despesas sendo que a descida das despesas de capital não pode comprometer o investimento público de proximidade que continua a ser uma opção viável para a retoma da economia e para o desenvolvimento do país. Por sua vez, a rubrica das receitas tributárias será recuperada com a continuidade da retoma económica.

O rigor orçamental é o elemento-chave para o controle das contas públicas porque se o país não for capaz de transmitir uma postura de confiança às agências internacionais, quer o financiamento da dívida pública quer o investimento estrangeiro podem estar seriamente ameaçados.

Carlos Raimundo, ESSL

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

HALLITUNA - TUNA DA ESSL

1º ENCONTRO DE TUNAS
2º ANIVERSÁRIO DA HALLITUNA
CENTRO DE ARTES E ESPECTÁCULOS
PORTALEGRE (CAEP)
28/01/2010







LUZ





SEMANA DAS CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS

2 de Fevereiro de 2010-02-02
Terça-feira

ARTE E CIÊNCIA

RAUL LADEIRA

“Mestre das imagens chamo ao Raul e com inteira e justificada propriedade,

já que o podemos encontrar na criação de um logotipo como na invenção de um cartaz,

na construção de uma banda desenhada (que saudades!)

como na manipulação de um diaporama,

na captura de um instantâneo fotográfico

como na sequência do vídeo…

Mestre das imagens também porque generosamente connosco as partilha em

singelas lições ou singulares pretextos que o quotidiano colectivamente proporciona

e que alguns «pouco?» também sabem aproveitar,

como ele sabe,

sobretudo,

sob a mesma simples naturalidade.”


in LADEIRA, RAUL,
JANELAS INDISCRETAS,
Edição do I. C. N./Parque Nacional da Serra de S. Mamede,
Portalegre, 2002, p. 2,
apud António Martinó Coutinho, Introdução.


Ciência e Arte
José Coelho
11º Ano Turma B
10:15 – 11:45H
Sala 2
Ontem fui passado…

Ontem fui passado a rito
Baptismo de fogo e unção
Das boas maneiras inflação
Ef-err-ah + ou – grito
Nas praxes da celebração
Caloiro des-feito mito

Bode expiatório de iniciação
Vítima de abuso infeliz
Quase vexado por um triz
Neófito da prov(oc)ação?

Nem tudo se pode levar a peito
Dizem as lições da história
Que 5 [Minutos] ‘ de fama e glória
Trajados 100 [Sem] preconceito
Com fato de casaca e terno
Não há mal que seja eterno

Por + que o destino a torça
A fatalidade só existe
P’ra quem a ela não resiste
E o que tem que ser tem ++ força?

Sou daqueles que não se isola
Ouvidos de mercador ao apupo
Só p’ra fazer parte do grupo
Da vida real e mola
Turmas de colegas ou agrupo
Por tudo apostar na Escola

Reduzida ao menor espaço
Elevada a N de ++s obras
Fórmulas máquinas manobras
Há equações p’ra 1 abraço?

Às × s paro e contemplo
Já antes agora e depois
1 ÷ do mundo em 2
P’ra + seguir o bom exemplo
A vontade + firme pois
O – mau que há neste temp(l)o

Ser alegria de avós e pais
Cumpridor de regras e normas
De saber matérias e formas
Que se poderá pedir ade+?

Os T.P.Cês não são fadário
Mas momentos de recreio
Os intervalos de permeio
Plenos de orgulho e ideário
Com que se mata o receio
De pertencer ao Secundário

Portalegre, 2-II-2010, Terça-feira
José Manuel Costa Coelho

II SEMANA DAS CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS - PROGRAMA

2 de Fevereiro de 2010-02-02
Terça-feira
CONTOS E OUTRAS HISTÓRIAS (CIÊNCIA)
Maria Luísa Moreira
11º Ano Turma B
10:15 – 11:45H
Sala 8
José Coelho - Histórias de ciência

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A (C)IDADE EM CONSTRUÇÃO


A (c)Idade em…

A (c)Idade em Construção
Dia semana mês e ano
É diálogo de mano a mano
Temporal de evolução
O Espaço da Educação

O antes era o costume
Sempre = a + do mesmo
A rotina e o ensimesmo
A inércia que saudade esfume
O que em passado se resume

Vem primeiro o alicerce
Um som cavo e + rouco
Pedra de cair sobre o cabouco
Pleno de à flor da terra cerce
Fundação ou semente que berce

O agora é o que obtusa
Pó de giz p’ra qualquer 1
A √ de algum
c.a.+c.o.=h
Quadrados perfeitos de musa

Dos materiais a existência
Tabela periódica dos elementos
Isótopos dos pensamentos
Milímetros sem desistência
Cálculos de resistência

O durante é o transtorno
A mudança da surpresa
Dialéctica não presa
A ferramenta em seu torno
Espiral de eterno retorno

Cimento de água com sede
O capilar em que sobe
Grave que tece baixa e dobe
Malha de sol estrutura e rede
Tijolo a tijolo a parede

O depois será futuro
De nós a partir de dentro
A centrifugar p´ró centro
Do que fora caos no monturo
Sinais de cosmos prematuro

Canto a canto os seus pilares
A base em que se lintele
Uma placa que feche e sele
De habit(u)ar sem oscilares
Pisos de passos e lares

Ptg, 29/1/2010, Sexta-feira
José Manuel Costa Coelho