quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A UM POETA


Tu que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares, 
Longe da luta e do fragor terreno.

Acorda! É tempo! O sol, já alto e pleno
Afugentou as larvas tumulares... 
Para surgir do seio desses mares 
Um mundo novo espera só um aceno...

Escuta! É a grande voz das multidões! 
São teus irmãos, que se erguem! São canções... 
Mas de guerra... e são vozes de rebate!

Ergue-te, pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro, 
Sonhador, faz espada de combate!


Antero de Quental (1842-1891)

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